Comentários sobre “Cartas a um jovem relações-públicas”

“Cartas a um jovem relações-públicas” é um livro pequeno, mas traz várias lições vividas pela profissional de relações públicas Lalá Aranha. A autora  ressalta que o livro é destinado a jovens empreendedores e a veteranos que ainda estão em busca de respostas e ensinamentos. É interessante notar que Lalá escreve como se estivesse enviando cartas a uma jovem chamada “Luiza”.

Lalá conta para Luiza suas experiências na área da Comunicação, dá dicas valiosas, fala sobre cases e enfatiza o perfil ideal dos relações-públicas, gestão de crises, planejamento, responsabilidade social corporativa e outros assuntos.  Selecionei nove pontos interessantes sobre o livro:

1- RP é pensar fora da caixa

Ao destacar a sua visão sobre Relações Públicas, Lalá Aranha destaca que “ser RP é pensar o tempo todo fora da caixa, buscar na dobra da alma as ações que nunca foram realizadas, dialogar com a sua intuição, imaginar o que não existe e perguntar ‘por que não?’” (). Além da criatividade, Lalá destaca que o RP precisa estar sempre em dia com as notícias gerais e com as informações sobre o setor das empresas ou organizações que atende. A imersão nos negócios do cliente e a análise do cenário são fundamentais para o profissional.  

2- A importância da pesquisa

A autora destaca que quando se recebe um briefing do cliente que envolve fatos e situações de conflito, muitas vezes ele mesmo está cego diante da realidade. Por isso, pesquise para alicerçar as suas decisões. Pesquise sobre o setor, veja como a concorrência se comporta, busque por estudos de terceiros, entreviste pessoas experientes. As pesquisas são úteis para avaliar resultados de ações (p. 30).

3- Seja multidisciplinar

O ideal é que o RP seja um profissional multidisciplinar, que conheça várias áreas. “Um bom profissional de RP não deve ser especialista em só aspecto. Imagine, em uma crise, o profissional de comunicação ser um ótimo e reconhecido redator, mas não ser um bom expositor” (p. 31). É muito importante conhecer as diversas possibilidades para dar soluções mais completas para o cliente que está atendendo. Quando mais conhecimentos tiver, maior será o leque de possibilidades que poderá oferecer.

4- Não seja pato, mas sim gaivota

Lalá destaca que é preciso ser multitarefas, desenvolver uma série de habilidades, mas alerta que isso não deve ser feito de forma superficial: “Cuidado! Não seja uma profissional polivalente ‘pato’, ou seja, superficial […] o pato é um animal polivalente, pois voa, nada, mergulha, anda, canta, faz de tudo um pouco, porém mal” (p.32). Seja uma gaivota!

5- Etapas importantes do Planejamento

As etapas mais importantes no planejamento de RP são o que queremos dizer (mensagens-chave) e quem queremos atingir (públicos-alvo). A autora afirma que as mensagens devem estar associadas à imagem que se quer construir, parecer ou ser, e dependem do ambiente, dos cenários, dos interesses, do mercado e dos objetivos da empresa. “Nenhum plano de RP sobrevive sem o mapeamento apurado do público-alvo. Tenha certeza quem são aqueles públicos vitais” (p.61). Pergunte-se: Quais são os públicos indispensáveis? Quem são os públicos próximos fisicamente? Quem são os formadores de opinião?

6- A comunicação em crises empresariais

A escritora questiona “Qual setor da economia que não tem um tema sensível?” e responde que desconhece, pois todos têm. A autora afirma que é preciso identificar e mapear os assuntos frágeis da organização, de acordo com o risco que cada um tem. Em seguida, é importante redigir um posicionamento e um discurso sólido de como está sendo tratado cada problema (mensagens-chave). Lalá fala ainda sobre a importância do comitê de crise e dá dicas sobre o conteúdo do Manual de Crises.

7- Não morra na beira da praia

 “A parte mais importante do planejamento é vê-lo fluir, ir se harmonizando com a realidade e fazer acontecer” (p.92). Para fazer acontecer, Lalá recomenda que o planejamento apresente o contexto, os objetivos, as estratégias e as ações táticas de RP. A autora destaca a importância dos objetivos de RP estarem alinhados com os objetivos gerais da empresa e a necessidade um briefing bem feito.  

8- Como atravessar a ponte

Usando a ilustração da travessia de uma ponte, Lalá revela que a melhor estratégia depende da construção de cenários objetivos e claros, contextualização firme e consistente. Ela afirma que um estrategista faz sempre um exercício de perguntas e respostas: Como a imagem da organização é percebida hoje e como queremos que seja? Que desafios e obstáculos temos de enfrentar para chegar aonde queremos?. Há temas sensíveis? Quais são seus aspectos negativos e positivos? Temos uma análise SWOT? Temos posicionamentos? Mensagens-chave? A criação da estratégia fará toda a diferença para obter os resultados desejados.

9- Cuidado no uso de termos

Nada de utilizar conceitos de forma inadequada. A autora afirma que é excessivamente zelosa com o significado das palavras e termos empregados. “Nessa área, necessitamos também redobrar cuidados e atenção com uma série de termos que os RP gostam de utilizar […]. Precisamos deixar de lado os jargões considerados incorretos ou dúbios e as palavras fantasiosas” (p. 98). Lalá cita alguns desses termos: “lucro”, “parceria”, “cumplicidade”, “blindar”, “neutralizar” e “derrubar pauta”.

Esses foram alguns pontos que considerei interessantes no livro “Cartas a um jovem relações-públicas”. Encerro esse post com uma reflexão proposta por Lalá Aranha sobre a formação do profissional de RP: “Se fosse uma jovem RP, eu me preocuparia menos com aonde vou chegar e mais em ver se estou no caminho”.

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