Alfabetização visual: um diferencial para gestores da Comunicação

Pexels/Mccutcheon

O termo “alfabetização visual” é utilizado com bastante ênfase pela professora Donis A. Dondis em sua obra “Sintaxe da linguagem visual” (Editora Martins Fontes)1. O livro discute os fundamentos sintáticos, elementos básicos da comunicação visual, técnicas e princípios do alfabetismo visual,  sendo considerado uma referência básica para compreensão de comunicações e expressões visuais. 

De acordo com a autora, “há elementos básicos que podem ser aprendidos e compreendidos por todos os estudiosos dos meios de comunicação, sejam eles artistas ou não, e que podem ser usados, em conjunto com técnicas manipulativas, para a criação de mensagens visuais claras. O conhecimento de todos esses fatores pode levar a uma melhor compreensão das mensagens visuais (DONDIS, 1997, p.18)”

A alfabetização visual representa a capacidade de reconhecer elementos básicos da linguagem visual que são constituídos por um conjunto de normas, códigos e preceitos para se alcançar uma ‘experiência visual’ plena. O alfabetismo visual possibilita a identificação, criação e a compreensão de mensagens visuais, oferecendo uma percepção qualificada e técnica de diversos elementos visuais. 

A autora defende que o alfabetismo visual, assim como o alfabetismo, deve ser acessível a todas as pessoas, e não apenas àquelas que foram especialmente treinadas, como o designer, artista, arquiteto, projetista e outras profissões. Esses profissionais aprimoram seus conhecimentos visuais e são altamente especializados. 

Pixabay

Infelizmente, alguns profissionais de Comunicação Corporativa não buscam desenvolver o alfabetismo visual e passam a ser, por definição e formação, analfabetos visuais. Em consequência pouco podem contribuir no processo de criação visual:  ” – Isso não está legal, mas não sei direito o que é…”. É extremamente recomendável que os  profissionais que atuam como gestores da Comunicação, mesmo que não tenham a função de criar materiais visuais e gráficos, devem conhecer os fundamentos da Linguagem Visual. 

No contexto das organizações, o profissional terá que fazer pequenas criações visuais (flyer, folder, cartaz, convite e outras pequenas peças) ou analisar peças gráficas elaboradas por designers ou pela Agência contratada. Nessas duas situações, a alfabetização visual será um fator decisivo para elaboração de um trabalho de qualidade. O alfabetismo visual proporciona não só uma “sensação de segurança” de saber que está amparado tecnicamente, mas também a elaboração de materiais esteticamente aceitáveis e harmônicos.  

 A prática do alfabetismo visual possibilita uma percepção mais apurada e técnica, uma percepção que se assemelha aos profissionais especialistas em linguagem visual.  Com essa percepção, será possível perceber, dentre outras coisas, a utilização das formas, a aplicação das cores, a escolha da família tipográfica, a qualidade das imagens, a hierarquização dos elementos visuais, enfim todos os elementos que possam evidenciar os fundamentos do Design.  Isso só poderá acontecer com o investimento de tempo em leituras e a busca por uma formação visual.  

Para começar esse processo de alfabetismo visual, recomendo a leitura do livro “Design para quem não é designer” de Robin Williams. Com essa leitura, você conhecerá alguns  fundamentos do Design, noções de planejamento visual. 

1 DONDIS, Donis A. Sintaxe da Linguagem Visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. [Lançado em 1973 com o título original é “A Primer of Visual Literacy”]

*Imagem desse Post é de Daniel Hannah (Pixabay)

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