Mementos de Teorias da Comunicação (Parte 2)

Dando continuidade ao post Mementos de Teorias da Comunicação (parte 1), relacionamos aqui outras hipóteses teóricas da Comunicação. Os comentários resumidos podem ajudar a ter uma visão geral sobre as Teorias da Comunicação.

É possível notar que os estudos acadêmicos descritos abaixo denotam a interdisciplinaridade do fenômeno comunicacional, tanto pela influência de aspectos tecnológicos, sociais, econômicos, políticos e cognitivos.Ao final dos tópicos, faço algumas indicações de leituras sobre Teorias da Comunicação.

  • Teoria do Espelho. A teoria defende a representação da realidade de forma imparcial. Influenciada pela invenção da fotografia, a Teoria do Espelho relatava que a realidade é reproduzida por meio da imagem, sem intervenções subjetivas. A teoria do espelho pressupõe que as notícias são como são porque a realidade assim as determina. Seu princípio básico seria a separação de fatos e opiniões, ou seja, o jornalista descreveria objetivamente os fatos. É com base nessa teoria que o jornalista deveria contar a verdade sempre, “doa a quem doer”.
  • Espiral do Silêncio. A hipótese defendida pela alemã Elizabeth Noelle-Neuman procura explicar a influência da opinião pública nas opiniões de cada indivíduo. Basicamente quando uma opinião individual difere da maioria ou do pensamento coletivo, pode ocorrer uma reação de isolamento social do indivíduo, em que as pessoas alteram a sua forma de pensar ou são silenciadas. A pesquisadora alemã acreditava que esse medo se propaga em espiral e pode esconder desejos de mudanças presentes na maioria silenciosa, por isto o nome, Espiral do Silêncio. 

  • Teoria Construcionista. A notícia é vista como construção social, ou seja, esta ajuda a construir a própria realidade. A impossibilidade de estabelecer uma distinção radical entre realidade e os meios noticiosos que devem refletir essa realidade; a inexistência de uma linguagem neutral; a influência de fatores organizacionais, orçamentais e à imprevisibilidade dos acontecimentos. A notícia deixa de ser um simples relato, e passa a ser considerada como uma construção, pois podem apresentar diferentes enfoques ou versões de um mesmo fato. “A conceitualização das notícias como estórias dá relevo à importância de compreender a dimensão cultural das notícias”, argumenta Nelson Traquina.
  • Newsmaking. A Teoria do Newsmaking se opõe a Teoria do Espelho, ao rejeitar que as notícias não são reflexos da realidade, e defende que o jornalismo é uma construção da realidade. A teoria do newsmaking pressupõe que as notícias são como são porque a rotina industrial de produção assim as determina. Há superabundância de fatos no cotidiano. Sem organização do trabalho jornalístico é impossível produzir notícias. o processo de produção da notícia é planejado como uma rotina industrial. Noticiabilidade: Critérios que escolhem, entre inúmeros fatos, uma quantidade limitada de notícias. Sistematização: rotina de divisão das ações que envolvem a pauta, a reportagem e a edição. Valores-notícia: senso comum das redações. Qualquer jornalista sabe dizer o que é notícia e o que não é de acordo com o senso comum.
  • Teoria do Gatekeeper/ Teoria da Ação Pessoal. Ela prega que as notícias seriam filtradas pelo GateKeeper – ou seja, porteiro/editor – que definiria o que deve ou não ser publicado. As decisões do jornalista são altamente subjetivas e dependentes de juízos de valor baseados no “conjunto de experiências, atitudes e expectativas do gatekeeper”. A teoria, também conhecida como Ação Pessoal, por Shudson, em 1989, dizia que as notícias eram explicadas como um produto das pessoas e das suas intenções. Acredita que o processo de produção da informação é um processo de escolhas, no qual o fluxo de notícias tem que passar por diversos “gates” (portões) até a sua publicação. Entende que há intencionalidade no jornalismo e que o processo é arbitrário e subjetivo. A teoria do Gatekeeper pressupõe que as notícias são como são porque os jornalistas assim as determinam. Diante de um grande número de acontecimentos, só viram notícias aqueles que passarem por uma cancela ou portão e quem decide isso é um selecionador, que é o próprio jornalista. Ele é o responsável pela progressão da notícia ou por sua morte caso não a deixe ser publicada.
  • A Teoria Organizacional originou-se na Administração e Psicologia, sendo adaptada recentemente – em 1995 – ao jornalismo pelo sociólogo norte-americano Warren-Breed. De acordo com ela, o jornalismo é um mercado e as notícias são seus produtos, portanto é necessária a organização das empresas, situação evidente no livro de Cremilda Medina, ‘Notícia: um produto à venda’. “As notícias são como são porque as empresas e organizações jornalísticas assim as determinam”. A ideia é simples: quanto mais organizado o processo jornalístico, mais lucrativo.
  • Hipótese do Agendamento. A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas. Ou seja, a mídia nos diz sobre o que falar e pauta nossos relacionamentos. A hipótese do agenda setting não defende que a imprensa pretende persuadir. A influência da mídia nas conversas dos cidadãos advém da dinâmica organizacional das empresas de comunicação, com sua cultura própria e critérios de noticiabilidade.

Indicações de leituras

POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluízio Ramos. Teorias da comunicação. São Paulo: Elsevier, Campus, 2012.

MATTELART, Michele; MATTELART, Armand. Histórias das teorias da comunicação. Loyola, 2003.

HOHLFELDT, Antonio; MARTINO, Luiz C. & FRANÇA, VEIGA, Vera (org). Teorias da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2003.

WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1995.

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