Mementos de Teorias da Comunicação (Parte 1)

A seguir compartilho um memento sobre Teorias e Hipóteses da Comunicação. O que é um memento? Segundo Dicionário OnLine de Português, é uma “agenda na qual se anota tudo aquilo que não pode ser esquecido; Obra em que são resumidas as partes essenciais de um assunto, de uma ciência”. De forma bem sintética, relaciono alguns pesquisadores e suas principais teorias e hipóteses da Comunicação.

Apesar de ser um conteúdo superficial, pode ajudar aqueles que estão estudando o assunto pela primeira vez. Pode ser utilizado também para sistematizar um estudo mais específico, para uma prova de concurso, por exemplo.  Ao final dos tópicos, faço algumas indicações de leituras sobre Teorias da Comunicação.

  • Teoria Hipodérmica. Colocava extrema vantagem na fonte EMISSORA, relegando ao RECEPTOR a condição de integral passividade. Dois fatores: psicologia e industrialização/urbanidade. Nessa perspectiva, os “meios de comunicação” possuíriam um poder incontestável, absoluto.
  • Harold Lasswell. Para contrapor a teoria hipodérmica, em que os meios de comunicação de massa tinham todo o poder sobre o indivíduo. Afirma que toda mensagem produz em cada indivíduo sensações diferentes. Com 5 perguntas:Quem? Diz o que? Em qual canal? Para quem?Com quais efeitos? Preocupação com o papel da mídia na sociedade.
  • Claude Shannon e Warren Weaver. Vêem as partes componentes do sistema (e não o processo comunicacional). Transmissão de sinais, grau de nitidez, eficiência/eficácia dos significados captados/assimilados, emissor/fonte de informação. Questões mais importantes para autores são as de ordem técnica. Saber como transmitir o máximo de teor informativo pela utilização competente de um canal, combatendo-se o ruído.
  • David Berlo propõe seu modelo em 1960, o qual ele denominou “modelo dos ingredientes da comunicação”. Seu modelo tem como mérito explicitar características fundamentais de tal processo,equilibrando as posições de emissor (o que possui algum conhecimento) ereceptor (o que faz algum reconhecimento).
  • Wilbur Revisa o modelo de Shannon e Weaver. 1) estudo da Comunicação como dependente de uma série de outros fatores, como contribuições de outros campos científicos (Sociologia, Psicologia);  2) Comunicação como “relação interativa” (e não como apenas algo que se transmite a alguém) e; 3) que estudar a Comunicação significa estudar as pessoas que interatuam nos processos comunicacionais.
  • Paul Felix Lazarsfeld. Premissa: todo ser humano é capaz de fazer escolhas, portanto não sendo tão passivo quanto se imaginava (e sim seletivo). Para Lazarsfeld, pessoas tomam decisões a partir da influência pessoal do “líder” de um grupo ao qual pertença. É o two-step flow of communication (duplo fluxo da comunicação). Lazarsfeld afirma que cada indivíduo é capaz de procurar e encontrar um meio de comunicação cujo conteúdo mostre compatibilidade às suas convicções e a seus modos de ver. No entanto, aponta uma narcotizing dysfunction (disfunção narcotizante) apresentada pelos meios de comunicação= excesso de informação, entretenimento ruidoso leva os meios a aturdir e entorpecer a sensibilidade do público resultando um evidente desinteresse.
  • Joseph T. Klapper. Propõe modelo teórico no qual os Meios de Comunicação de Massa (MCM) não podem ser tomados como causa única e suficiente dos efeitos junto ao público. Pessoas preferem se expor aos MCM condizentes com as suas atitudes individuais; portanto, na verdade, em vez de serem influenciadas pelos  MCM, as pessoas reforçariam seus sistemas de crenças. A existência de um número plural de fatores determinantes da influência comunicacional.
  • Blumler e Katz. Usos e Satisfações ou Necessidades e Gratificações. A ver TV o público daria mostras do que estão precisando obter, orientando suas expectativas pela busca de satisfações, essas percebidas como benefícios a serem subjetivamente e objetivamente aproveitados. A audiência é concebida como ativa; Depende da audiência relacionar a escolha do mass media, com a satisfação da necessidade; Os mass media competem com outras fontes de satisfação das necessidades; Muitos dos objetivos da utilização dos mass media podem conhecer-se através de dados fornecidos pelos destinatários.
  • Para Habermas. a comunicação é uma prática ética. Em 1981 introduz o conceito de agir comunicacional ou comunicativo = percebe que há uma debilitação das relações comunicacionais entre sujeitos concretos, por isso confere claro destaque à ética.
  • McLuhan – O meio é a mensagem (mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o veículo através do qual a mensagem é transmitida, isto é, o meio).
  • McLuhan (Meios ‘Quentes’ e ‘Frios’). Meios Frios envolvem vários sentidos simultaneamente e disponibilizam menos informações, exigindo a intervenção do espectador para interpretar e completar livremente os vazios deixados pelas mídias, ao passo que os meios quentes não fomentam a imaginação, pois já comunicam de forma explícita e intensa.
  • Meios como extensão do Homem. Para ele todos os meios são extensões dos sentidos humanos (chamado por ele de “prótese técnica“). Meio é definido por McLuhan como toda forma de interação social e as formas pelas quais se estabelecem relações de poder, ora por dependência, ora por cooperação e ora por dominação.
  • Aldeia Global. Um espaço de convergência, em que toda a evolução tecnológica estivesse caminhando no sentido de formar uma aldeia, em que a qualquer distância seja possível a comunicação direta. As formas de comunicação da aldeia são essencialmente bidirecionais e entre dois indivíduos. Somente com a invenção do telemóvel e da internet é que o conceito se começa a concretizar.

Indicações de leituras:

POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluízio Ramos. Teorias da comunicação. São Paulo: Elsevier, Campus, 2012.

MATTELART, Michele; MATTELART, Armand. Histórias das teorias da comunicação. Loyola, 2003.

HOHLFELDT, Antonio; MARTINO, Luiz C. & FRANÇA, VEIGA, Vera (org). Teorias da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2003.

WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1995.

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