Como as Relações Públicas podem contribuir na transformação social?

Segundo Peruzzo (2013), as Organizações Não-Governamentais, em especial aquelas de Base Popular, podem contar com duas modalidades de Comunicação: a comunicação institucional e a comunicação mobilizadora. A comunicação institucional é aquela que se desenvolve entre as organizações para com os demais públicos e a sociedade, envolvendo a reputação e o conceito (imagem) que se quer construir.

Uma organização da sociedade civil também tem a necessidade de desenvolver seus próprios canais de comunicação institucional, pois precisa de visibilidade para se legitimar diante da sociedade e atrair novos parceiros. Dessa forma, a entidade pode externar sua visão sobre acontecimentos, disseminar informações, apresentar reivindicações e prestar contas à sociedade.

As Relações Públicas devem se encarregar da visibilidade pública em torno da reputação que se almeja no conjunto da sociedade, visando conquistar ainda o espaço político e legitimidade da causa. A construção da imagem passa necessariamente pela correta utilização dos veículos comunicação. Assim, por exemplo, a utilização de sites de redes sociais tem se mostrado de grande valia para o estabelecimento e a manutenção de contatos com voluntários, tanto para seu recrutamento quanto para prestação de contas.

Os movimentos sociais, segundo Henriques (2007), possuem duas dimensões comunicacionais latentes que permeiam sua existência social: manutenção das redes de relacionamentos e visibilidade pública da causa. Essas necessidades comunicacionais dos movimentos fazem com que as Relações Públicas se tornem eixo de atuação potencial, pois as demandas estão relacionadas com o estabelecimento de relações com intuito de compreensão mútua.

  • Manutenção das redes. Os movimentos sociais possuem diversos atores envolvidos, sendo dos mais diversos tipos. Henriques (2007) propõe uma segmentação de públicos, levando em conta a proximidade e a co-responsabilidade: beneficiados, legitimadores e geradores. Esses tipos de públicos, que possuem diferentes relações, precisam se relacionar. A necessidade de articular os diferentes grupos é uma necessidade dos movimentos. Deve-se destacar a grande e variada rede de públicos existentes em relação aos movimentos sociais.
  • Visibilidade da causa. Os movimentos precisam de espaços de visibilidade a fim de contribuir para legitimação da causa. Para isso, são utilizadas as mídias tradicionais (TV, Jornal, Rádio, Revistas) e as mídias digitais. Essas últimas tem sido utilizadas preferencialmente pelos fatores de custo/ benefício e pelas características mobilizadoras dos sites de redes sociais. O movimento ambientalista, por exemplo, se utiliza das plataformas digitais para disseminar as causas ambientais e assim angariar a boa vontade dos diversos públicos de interesse. Vinculam-se a essa dimensão a imagem do movimento, as percepções dos públicos e a disseminação dos princípios basilares do movimento.

A comunicação mobilizadora, entendida como aquela que ocorre na relação com o público beneficiário/sujeito das atividades, passa a ser algo construído a partir das demandas do grupo e pressupõe o respeito à dinâmica interna e coletiva da própria entidade ou movimento. O foco está na educomunicação e os materiais (áudio, vídeo, campanha, jornal, cordel) necessários para as relações educomunicativas com seu público beneficiário.

As Relações Públicas populares precisam ir além da divulgação das ações desenvolvidas pelo movimento social, visando a adesão de públicos ou legitimidade pública. É preciso criar uma comunicação que se permita ser transformadora, tornando-se eixo de mudanças estruturantes do movimento, levando em conta a ética, a estética, a cidadania e a diversidade sociocultural. Deve buscar compartilhar sentidos, sentimentos e valores. Dessa forma, as RPs  passam a ser um dos principais instrumentos para auxiliar o movimento em seu processo de transformação da realidade.

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Texto extraído do artigo:

GOMES JR, Jonas da Silva. Relações Públicas Populares e atuação profissional em comunidades. Conexões: revista de relações públicas e comunicação organizacional, [S.l.], v. 1, n. 01, p. 68-80, nov. 2017. Disponível em: <http://www.periodicos.ufam.edu.br/conexoes/article/view/3811>. Acesso em: 13 abr. 2018.

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