Roberto Porto Simões e a Micropolítica em Relações Públicas (Autores Clássicos de RP)

Função MicropoliticaRoberto Porto Simões (1935-2018)¹ é um dos principais teóricos de Relações Públicas no Brasil, tendo contribuído muito para a consolidação da área. A suas principais obras são: Relações Públicas: Função Política (1993),  Relações públicas e micropolítica (2001) e Informação, inteligência e utopia — contribuições à teoria de relações públicas (2006).

Nesse post vamos fazer alguns breves comentários sobre as ideias centrais do autor no livro Relações Públicas e Micropolítica (2001). Nessa obra Simões corrobora, amplia e estabelece elementos fundamentais para pensar a área de Relações Públicas em uma perspectiva política, interdisciplinar e crítica.

De acordo com o autor, a definição da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) não cita a existência da divergência de interesses, encobrindo os aspectos da relação de poder. Além disso, ressalta apenas uma dimensão operacional da profissão.

Buscando um contraponto, Simões define a atividade de RP como a “gestão da função organizacional política”, tendo como objetivo obter a cooperação dos públicos (agentes de influência) para a que a organização efetive sua missão.

Realmente os interesses da organização e públicos nem sempre são convergentes. A organização é pressionada por agentes de influência e cada público tem suas próprias demandas, objetivos, suas próprias necessidades. Daí a eminência do conflito ou desentendimento.

Outro ponto que deve ser discutido é sobre a Imagem, que não seria o objetivo principal de RP. A função de Relações Públicas é somente formar/ manter a imagem de uma organização? Confunde-se a essência com um dos objetivos. Entendo que a imagem é uma meta secundária, pois o mais importante para Simões é buscar a harmonização do sistema organização-públicos. “A atividade de RP não ter por objetivos, somente, formar imagem, criar boa vontade, obter atitudes positivas e estabelecer a compreensão mútua. Todas esses termos correspondem a pré-componentes“.

Simões entende que os princípios básicos que fundamentam a teoria da atividade de Relações Públicas se encontram na Micropolítica, uma segmentação das Ciências Políticas, na qual estuda a relação de poder na sociedade. Por isso, o RP deve ser um estrategista com soluções políticas para os conflitos da organização com os públicos e não um mero executor de instrumentos de informação.

Uma das partes mais interessantes da proposição teórica de Roberto Simões é a proposta de uma base teórica fundamentada na função política². Nesse sentido, o autor propõe uma rede teórica para RP, estabelecendo um conjunto de conceitos, definições e princípios logicamente organizados e relacionados que explicam a área. A seguir uma síntese:

  • Objetos de RP: Sistema Organização-Públicos e Conflito-cooperação (em condição de probabilidade iminente). Públicos devem ser considerados agentes de influência. Influenciar a organização e ser infuenciado por ela.
  • Definição Conceitual: “a gestão da função organizacional política”.
  • Definição operacional: explicita o que faz a atividade. A definição operacional da atividade são as funções básicas desenvolvidas pela área. De acordo com Simões, as funções [4] são: Diagnosticar, Prognosticar, Assessorar e Implementar. As duas primeiras são preparatórias e essenciais para realização do assessoramento e implementação dos programas de comunicação.
  • Diagnóstico: é a conclusão da análise de como se encontra a organização em face dos interesses de todos os seus públicos. Isso implica a pesquisa sobre a organização, sua missão, seus públicos, seus interesses, os canais de comunicação, a conjuntura local.
  • Prognóstico: é a previsão de possibilidades futuras, internas e externas.Prever o que provavelmente ocorrerá no processo.
  • Assessoramento: Sugerir aos líderes políticas administrativas a fim de manter ou modificar a ação da organização.
  • Implementação: é executar projetos de comunicação a fim de manter ou modificar as atitudes dos públicos.
  • Cooperação dos Públicos: Para que a organização alcance a sua missão, é preciso contar com a cooperação dos públicos. Caso contrário, os públicos que são agentes de influência podem agir contrariamente a missão da organização, tornando-a inviabilizada. Os públicos possuem interesses que muitas vezes não estão em consonância com o da organização. Nessa questão, é preciso que ocorram negociações, intervenções no cenário.

 

NOTAS

1. “Gaúcho de Porto Alegre, nascido em 21 de abril de 1935, coronel reformado do Exército Brasileiro, psicólogo de formação, Relações Públicas por opção e paixão. Com sua tese de Doutorado “Relações Públicas: função política – uma teoria para o ensino e a prática da atividade”, defendida na Faculdade de Educação da PUCRS, revolucionou o ensino de Relações Públicas no Brasil e se tornou uma das principais personalidades da profissão no país” (Fonte: http://www.conrerp4.org.br).

2.  A função política refere-se á relação de poder entre a organização e todos aqueles agentes com influência que podem interceptar ou desviar sua trajetória. P. 51

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