Como fazer uma Análise Semiótica Peirciana?

Depois de abordar os principais elementos da Semiótica Peirciana (elementos norteadores e signo), enfatizo neste post  o processo de aplicação semiótica e seu percurso metodológico. Como destaca Santaella (2010) a primeira impressão que uma imagem, logo, marca, embalagem provocam no receptor é fundamental. É essa primeira impressão é causada por elementos básicos da comunicação visual, tais como cores, formas, texturas, elementos e suas relações visuais.

Pixabay

Nesse sentido, a semiótica trabalha como uma espécie de “microscópio”, possibilitando a análise de mensagens e situações comunicativas, identificando etapas do processo de significação e o potencial efetivo na mente do receptor. É importante sublinhar que a semiótica peirciana não funciona por si só durante a análise, ela reclama uma complementaridade teórica com outras áreas, isto é, o diálogo científico com outros corpus teóricos.  O analista deve estar aberto ao diálogo com outras áreas.

A semiótica sendo utilizada para propósitos de análise segue uma trajetória, que é sintetizada no quadro a seguir:

A semiótica trabalha como uma espécie de “microscópio”, possibilitando a análise de mensagens e situações comunicativas, identificando etapas do processo de significação e o potencial efetivo na mente do receptor. A semiótica sendo utilizada para propósitos de análise segue uma trajetória, que é sintetizada no quadro a seguir:
Síntese do método de análise semiótico

O primeiro momento da análise, denominado face da significação, interliga-se a primeiridade e refere-se à investigação de aspectos do fundamento do signo, acima descritos. Tal fase exige que “devemos fazer um certo esforço consciente para ignorar todos os outros aspectos do signo, tanto sua relação com o objeto como com o interpretante” (SANTAELLA, 2008, p.32). Outrossim, exige-se um aguçamento da sensibilidade e percepção nos sentidos a fim de que se possa: contemplar, descriminar e generalizar.

O que é contemplar? Olhar, observar atentamente ou embevecidamente, considerar com admiração ou com apego. Nessa parte da análise, somos tomados a querer analisar o corpus apressadamente, pois somos “máquinas interpretadoras”, condicionadas sócio-culturalmente para isso¹. Parar para contemplar é como se “desacelerássemos” nossa natureza, deixando o signo falar por si só (SANTAELLA, 2007).

Depois de descritas as qualidades do Signo-Fundamento, deve-se observar aspectos de sua existência, aquilo que o faz único. Com o intento de compreender o sin-signo analisa-se o seu macro-ambiente, o contexto histórico-social, distinguindo partes e todo, sua singularidade espacial e temporal. O desafio desta fase esta na capacidade do pesquisador em fazer relações com o macro-ambiente e contexto. Compreender o contexto implica em debruçar-se sobre fontes primárias e secundárias de pesquisa a fim de melhor compreender a existência do Fundamento-Signo.

Compreender o contexto e o macro ambiente do signo nos leva automaticamente ao Legi-Signo, pois se entende que o signo esta contido em um conjunto classificatório e convencional. A capacidade de fazer induções deve ser ativada, isto é, o raciocínio que parte de algo particular [o Fundamento-signo] a fim de chegar a uma premissa geral e chegar a uma conclusão classificatória universal.  Todo signo existe dentro de um quadro classificatório geral. Santaella (2008, p.32) assim se posiciona sobre a inter-relação existente entre as facetas do Signo, no seu caráter de Fundamento:

os sin-signos dão corpo aos quali-signos enquanto os legi-signos funcionam como princípios-guias para os sin-signos. Quali-sin-legisignos, os três tipos de fundamentos dos signos, são, na realidade, três aspectos inseparáveis que as coisas exibem, aspectos esses ou propriedades que permitem que elas funcionem como signos.

A segunda fase, denominada face da Representação, depende de um olhar atento para os aspectos do Fundamento, destacados acima. Inicia-se com a correta determinação do objeto que é vital, pois, caso contrário, a analise será comprometida em suas inferências. Apesar de Santaella (2007) diferenciar entre objeto imediato (interno ao signo) e o dinâmico, optou-se em não seguir tal diferenciação, visto que a mesma necessita de um nível maior de abstração.

Nesse sentido, existem três modos, que estão descritos na tabela anterior, a saber: Modo Icônico, Modo Indicial  e Modo Simbólico. O modo icônico leva em conta o aspecto qualitativo do Signo. Avalia-se a sugestividade dos elementos qualitativos. O que eles sugerem? Os elementos básicos qualitativos guardam níveis de semelhança com algo? Analogias podem ser feitas, quais? Assim, deve-se questionar se os elementos básicos da comunicação visual (ponto, linha, forma, direção, tom, cor, textura, dimensão, escala e movimento) sugerem algo ou alguma coisa.

semiótica2

O modo indicial, por sua vez, aponta para o existente, fazendo uma conexão direta entre o signo e sua existencialidade. Assim, o objeto e a “materialidade do signo como parte do universo a que o signo existencialmente pertence” (34).O modo simbólico (Ligada as Leis e Convenções socio-culturuais e outras).

A face da interpretação deve iniciar com a retomada aos aspectos do fundamento e objeto a fim de garantir    uma relação conjuntural com as interpretações. As sugestões precisam ser avaliadas, bem como o potencial sugestivo, indicativo e representativo.

NOTAS

1- Somos treinados desde a idade escolar para interpretarmos velozmente. Quando, por exemplo, éramos orientados a fazer interpretação de texto quando criança. As gravuras dos textos, em sua maioria, não eram analisadas como parte do (con)texto.

REFERÊNCIAS

COELHO NETO, J. Teixeira. Semiótica, informação e comunicação. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Coleção Debates)

SANTAELLA, Lúcia; NOTH, Winfried. Estratégias semióticas da publicidade. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

SANTAELLA, Lúcia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

SANTAELLA, Lúcia.  O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2007.

Caso deseje citar esse conteúdo, utilize a seguinte referência:

GOMES JÚNIOR, Jonas da Silva. Como fazer uma Análise Semiótica Peirciana? 2018. Disponível em: <https://jonasjr.wordpress.com/2018/04/06/como-fazer-uma-analise-semiotica-peirciana/>. Acesso em: dia. mês. ano.

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