Fábio França (Autores Clássicos de RP)

Fábio França. Fonte: cursosrp-online.webnode.com.br

Fábio França é doutor e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). O pesquisador tem uma formação bem diversificada: filosofia, psicologia, teologia,  especialização em Programação Neurolingüística, em sistema de radiodifusão e ensino a distância.

Apesar de não ser graduado em Relações Públicas, o mesmo tem o título de Habilitação Profissional, outorgando todos os direitos e prerrogativas legais inerentes ao exercício Profissional de Relações Públicas,  expedido em 1979 pelo Conselho Federal dos Profissionais de Relações Públicas (CONFERP).

É co-autor dos livros Manual da Qualidade em Projetos de Comunicação (com profa. Dra. Sidinéia Gomes Freitas) Relações Públicas: teoria, contexto e relacionamentos ( com James E. Grunig e Maria Aparecida Ferrari). A sua principal obra é “Públicos: como identificá-los em uma nova visão estratégica” (em 2008 foi lançada a 2° edição). A seguir um resumo das principais proposições do autor nesse livro:

  • Destaca a importância da identificação dos Públicos: Em Relações Públicas, atividade essencialmente de relacionamentos com pessoas, é imprescindível que os públicos da organização sejam corretamente identificados, para que se possa estabelecer com eles uma interação produtiva e dialógica.

 

  • Multipúblicos: A organização tem diante de si uma rede de multipúblicos. Deve-se estar atento para a existência de uma pluralidade de públicos. É preciso identificar cada um desses públicos, que são numerosos e diferentes uns dos outros.

 

  • Critica a visão de Públicos de Teobaldo Andrade. Andrade destaca a necessidade de que os Relações Públicas devem formar os públicos junto às empresas, levantando as controvérsias, fornecendo informações e facilitando a discussão. França rebate: “a tarefa delegada às relações públicas exclui a formação espontânea de públicos e exige dos profissionais capacitação e habilidades para analisar cenários e identificar quais são os grupos estratégicos ou de interesse para organização”. (FRANÇA, 2008, p.22) e formação de públicos “não é tarefa do profissional de relações públicas, pois eles existem sem a sua intervenção” (FRANÇA, 2008, p.48)

 

 

  • Crítica a Classificação de Públicos Internos, Externos e Mistos: Para o autor as transformações sociais e organizacionais demonstram que essas categorias não mais correspondem à realidade enfrentada pelas organizações na relação com os públicos. Os conceitos tradicionais de públicos tornam-se insuficientes frente as transformações organizacionais e exigências do mundo globalizado.

 

  • França destaca a falta de consistência dos conceitos e demonstra a inexistência de uma sustentação teórica. Levando em conta a multiplicidade de públicos, com diferentes objetivos e expectativas, a definição não consegue esclarecer os tipos de vínculos existentes e os objetivos da relação. Dificultam assim: mapeamento, identificação, gerenciamento e criação de programas. Exemplos de Públicos que não são contemplados: Trabalhadores Terceirizados, Estagiários, Temporários, Concorrência.
  • Definição de Público de França (2008, p. 52): “grupos organizados de setores públicos, econômicos ou sociais que podem, em determinadas condições, prestar efetiva colaboração às organizações, autorizando a sua constituição ou lhes oferecendo o suporte de que necessitam para o desenvolvimento de seus negócios”

 

  • Defende a CONCEITUAÇÃO LÓGICA DE PÚBLICOS 

A conceituação lógica de públicos leva em conta o grau de interdependência, relacionamento e interesses entre a organização e seus públicos.

  • Conceituação Lógica de Públicos: Estabelece três tipos de públicos: Públicos Essenciais (Constitutivos, Não-Constitutivos (Primários e Secundários), Públicos Não-Essenciais (Redes) e Públicos de Redes de Interferência)

 

  • Os públicos essenciais são aqueles que estão relacionados diretamente a execução das atividades-fim da Organização. Esses públicos dividem-se em públicos constitutivos (investidores, sócios, diretores e outros que possibilitem a existência da organização) e nãoconstitutivos que dividem-se em primários (fornecedores de insumos e colaboradores diretos) e secundários (terceirizados, contratados).

  • Os públicos não-essenciais estão ligados às atividade-meio e não determinantes para a existência da organização. São segmentados em grupos de interesses específicos: redes de consultoria (Agências de Publicidade, Consultorias e Assessorias), redes associativas (Associações patronais), redes sindicais (Sindicatos) e redes de comunidades (Comunidade e Organizações do Terceiro Setor).

  • Os públicos de Redes de Interferência são aqueles que estão no cenário externo das organizações e que podem gerar interferências diversas. Estão segmentados em: Redes de Concorrência (concorrentes diretos e indiretos) e Redes de Meios de comunicação (Veículos de Comunicação e Imprensa local, nacional, internacional)

Minha crítica: Apesar do autor afirmar que a conceituação lógica é de caráter universal e pode ser aplicada em qualquer tipo de organização, é preciso questionar tal afirmação, pois a categorização é problemática na aplicação de organização do terceiro setor, tendo em vista a multiplicidade de objetivos existentes nas relações e a própria natureza das organizações.

 

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