Meio ambiente: aspectos conceituais sobre Ecologia e Ecossistemas

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Nesta postagem, faremos alguns apontamentos conceituais sobre “Meio ambiente”, “Ecologia” e “Ecossistemas” a fim de compreender as relações existentes entre os termos. As definições, apesar de serem restritivas, buscam sempre estabelecer duas vertentes: 1- elementos que compõe ou 2- razão de existir. Buscaremos, assim, extrair a essência destes elementos e esclarecer que o Meio Ambiente é algo mais amplo, Ecologia é uma Ciência e Ecossistemas são os objetos de estudo da Ecologia.

Meio Ambiente é composto por todas os elementos (vivos e não-vivos), ocorrendo na Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e a vida dos humanos.  É ainda o conjunto de condições de ordem químico-físicas e biológicas, que permite a existência da em todas as suas formas. Note a abrangência de Meio Ambiente:

“Meio Ambiente é tudo o que tem a ver com a vida de um ser ou de um grupo de seres vivos. Tudo o que tem a ver com a vida, sua manutenção e reprodução. Nesta definição estão: os elementos físicos (a terra, o ar, a água), o clima, os elementos vivos (as plantas, os animais, os homens), elementos culturais (os hábitos, os costumes, o saber, a história de cada grupo, de cada comunidade) e a maneira como estes elementos são tratados pela sociedade. Ou seja, como as atividades humanas interferem com estes elementos. Compõem também o meio ambiente as interações destes elementos entre si, e entre eles e as atividades humanas. Assim entendido, o meio ambiente não diz respeito apenas ao meio natural, mas também às vilas, cidades, todo o ambiente construído pelo homem”

(NEVES E TOSTES, 1992, p. 17)

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente celebrada em Estocolmo, em 1972, definiu-se o “meio ambiente” da seguinte forma: “O meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas”.

A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) brasileira, estabelecida pela Lei 6938 de 1981, por sua vez, define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Destacamos ainda que há um respaldo constitucional no que diz respeito ao meio ambiente, pois no Art. 225 da Constituição Federal há a seguinte frase: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida impondo-se ao Poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL).

O termo ecologia também possui várias definições. Pinto-Coelho (2000, p.13) esclarece que a Ecologia “baseia-se em interações multi, poli e, principalmente, transdisciplinares” e possui definições diferenciadas segundo compreensões de diversos autores. O autor, contudo, sintetiza que a ecologia busca respostas para três tipos de perguntas: Onde estão os organismos? Em quantos indivíduos ocorrem? Porque eles lá estão (ou não estão?). A ecologia faz uso da Teoria dos Sistemas (PINTO COELHO, 2000):

“Um sistema é um conjunto cujos elementos unem-se por meio de propriedades calcadas na interação, interdependência e na sensibilidade de propriedades calcadas na interação, interdependência e na sensibilidade a certos mecanismos reguladores, de tal modo que formam um todo unificado”

(PINTO COELHO, 2000, p. 14).

Segundo Odum (1988), o termo “ecologia” literalmente significa “estudo do lugar onde se vive”, visto que o termo composto deriva do grego oikos, com o sentido de “casa”, e logos, que significa “estudo”. As bases da ecologia estão contidas no pensamento clássico dos gregos, contudo, o termo ecologia é de origem moderna, tendo sido proposto pelo biólogo alemão Ernst Haeckel, em 1869.

Como um campo de reconhecimento distinto da ciência, a ecologia data de cerca de 1900, mas foi apenas na ultima década que a palavra entrou para o vocabulário comum. A ecologia era tida como um ramo da biologia, mas por sua notoriedade ganhou espaço e constituiu-se como uma “disciplina integradora essencialmente nova, que une os processos físicos e biológicos e serve de ponte de ligação entre as ciências naturais e ciências sociais” (ODUM, 1988, p.2).

A Ecologia, como toda ciência, possui um objeto de estudo. Pinto-Coelho ressalta que a ecologia necessita adotar subdivisões de seu objeto de estudo (os Ecossistemas). O Conceito de Ecossistema, também conhecido como sistema ecológico, é “qualquer unidade (biossistema) que abranja todos os organismos que funcionam em conjunto (a comunidade biótica) numa dada área, interagindo com o ambiente físico de tal forma que um fluxo de energia produza estruturas bióticas claramente definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não-vivas.” (ODUM, 1988, p.9)

O ecossistema é a unidade fundamental básica na ecologia, pois inclui tanto os organismos quanto o ambiente abiótico; cada um destes fatores influencia as propriedades do outro e cada um é necessário para a manutenção da vida, como a conhecemos, na Terra.

Sendo ecossistemas sistemas abertos, o ambiente de entrada e o ambiente de saída devem ser considerados partes importantes do conceito. Todos os ecossistemas, inclusive a biosfera, são sistemas abertos: existe uma entrada e uma saída necessárias de energia. É claro que os ecossistemas abaixo do nível da biosfera também estão abertos, em vários graus, aos fluxos de materiais e à emigração de organismos. Representa uma parte importante do conceito de ecossistema reconhecer que existe tanto um ambiente de entrada quanto um ambiente de saída, acoplados e essenciais para que funcione e se mantenha.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira.

CMMA. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1988.

COIMBRA, José de Ávila Aguiar. O outro lado do meio ambiente: uma incursão humanista na questão ambiental. Campinas: Millennium, 2002.

GIANSANTI, Roberto. O desafio sustentável. São Paulo: Atual, 1998. (Série Meio Ambiente)

LEFF, Henrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Tradução de Lúcia Mathilde Endlich Orth. Petrópolis-RJ: Vozes, 2001.

NEVES, E. ; TOSTES, A. Meio ambiente: Aplicando a Lei. Petrópolis: Vozes: Centro de Criação de Imagens Populares (CECIP), 1992.

ODUM, Eugene. Fundamentos de Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

PINTO COELHO, Ricardo Motta. Fundamentos em Ecologia. Ed.Artmed, 2000.

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