A gênese das Relações Públicas no Mundo

Você gostaria de entender melhor sobre o surgimento das Relações Públicas (RPs) no Mundo? A seguir contextualizamos esse surgimento, destacando vários elementos determinantes.

Bem, primeiramente para entender as Relações Públicas no mundo devemos entender o contexto. As Relações Públicas têm seu inicio mundial datado no inicio dos anos de 1900 e estão notadamente na pessoa de Ivy Lee. Contudo, deve-se levar em conta que já existiam ações de RP anteriores a esse período. Nessa linha de pensamento, temos que voltar para o ano de 1776. Esse ano foi o ano da independência dos EUA. Lá nesse fato histórico já havia esforços de Comunicação, Dentre eles já havia algo de Relações Públicas. Claro, volto a dizer nada parecido com o que temos hoje. Mas já podia ser considerado ações de RP combinadas com Publicidade e Jornalismo. Exemplos: disseminação de informações e noticias antibritânicas pelas colônias, folhetos, artigos para jornais, reuniões, correspondência (comunicação dirigida), símbolos como “Liberty Tree”, slogans (Propaganda Institucional). Serra e Gurgel afirmam que Sam Adams é considerado um dos primeiros RPs.

De 1780 até 1900 existem vários registros de utilização de técnicas de Relações Públicas, mas sem ter o nome RP. Isso é importante pra não achar que só teve RP depois de Ivee Lee. É uma ilusão que precisa ser dissipada o fato de as RPs existirem somente depois de Ivee Lee.

1 -“O PÚBLICO QUE SE DANE”, UM GRANDE MOMENTO PARA AS RELAÇÕES PÚBLICAS

William H. Vanderbilt, filho do Comodoro Cornelius Vanderblit, pronunciou a célebre sentença, na História das Relações Públicas: “The public be damned” – “ O público que se dane”. A declaração teria sido feita a um grupo de jornalistas de Chicago sobre o interesse público a respeito de um novo trem expresso entre Nova Iorque e Chicago.

Vanderbilt, face as repercussões negativas de sua afirmação, tentou negá-la, em entrevista ao “New York Times”. A expressão traduzia, entretanto, o sentimento de desrespeito dos grandes empresários norte-americanos para com a opinião pública. Empresários de estradas de ferro, como William H. Vanderbilt, banqueiros como J.P Morgan, magnatas do petróleo, como John D. Rockefeller, e do aço, como Henry Clay Frick, acreditavam que não tinham motivos para dar satisfações de suas ações à opinião pública.

Essa frase é importante porque representa a mentalidade empresarial da época. Desrespeito, falta de compromisso social, o que importa é o dinheiro, lucro, as finanças, o ser humano quero que ele se dane. Eles desprezavam a opinião pública… Então, você sabe que para cada ação há uma resposta. Se tinham empresas que desrespeitavam, tinham empresas querendo fazer o certo, como a Telefônica Bell.

2- FINALMENTE, O DESPERTAR?

“As corporações começaram a perceber a importância da hostilidade combatente e da obtenção do favor público. A aparição do especialista em Relações Públicas foi um fenômeno inevitável se se considera a necessidade dos serviços que poderia desenvolver” Historiador Merle CURTI in “The Growth of American Thought”

Esse trecho do livro é fundamental para entender que as empresas começaram a entender que não podia ser daquele jeito. Fatores que contribuíram: a concorrência. Foi nesse período que comunicadores (jornalistas e publicitários) começaram a fazer o papel institucional, que depois viria ser atribuído ao RP.

Posteriormente, as empresas privadas dos Estados Unidos dedicaram-se ao aperfeiçoamento das relações com seus públicos. Esta preocupação se acentuaria a partir desse ano e se intensificaria até 1917. As pequenas e médias empresas temiam o “big business” (CONCORRÊNCIA). A aparição, em 1900, dos poderosos monopólios, a concentração da riqueza, o poder e as táticas escabrosas dos “Robers Barons” e seus imitadores provocaram ondas de protesto conseguintes reformas.

“Essa disputa confusa, de forças opostas, naquele período de rápida evolução nacional deu origem ao conceito contemporâneio de Relações Públicas como atividade e como  filosofia”, escreveram Scott Cutlipp e Allen Center in ‘Relaciones Públicas’”. P.10

3- “O PÚBLICO DEVE SER INFORMADO” e IVY LEE

Ivy L. Lee (1877-1934), jornalista e publicitário, que viria a ser o grande nome das Relações Públicas, nos Estados Unidos, despontou no cenário norte-americano, escrevendo artigos para jornais, como “press agent” (agente de imprensa), sugerindo um tipo de atividade para relacionamento das instituições com seus públicos. Lee, como jornalista, escreveu para o “New York American”, “New York Times”, “New York World” e “Citizen’s Union”, onde fez campanha de Seth Low para a prefeitura de Nova Iorque. Compreendia muito bem o papel desempenhado pela “Publicity” (Propaganda e Divulgação) e pela “Advertising” (Publicidade) e admitiu que caberia uma nova atividade de divulgação institucional para obter a compreensão e aceitação do público para com as organizações.

É nesse contexto de mudanças, concorrência é que surge Ivy Lee. O que Ivy Lee era, foi um profissional que soube aproveitar uma oportunidade. Que viu um nicho de mercado, ele viu o que as pessoas estavam vendo, mas não estavam determinadas a fazer: inovar. Era jornalista e trabalhou em vários jornais. Ele depois  escrevia para jornais não como jornalista do jornal (ele não ia para rua fazer matérias). Ele escrevia para as empresas e mandava para os jornais. Ele mediava instituição-públicos, usando os jornais.

Ivy Lee era jornalista e publicitário (entendia muito de publicidade e propaganda). Ele conhecia a estrutura das empresas de jornais. Teve a “sacada” de mandar notas para os jornais em nome de organizações. A nota saia no jornal como um material de valor e ajudava a construir a imagem da empresa.  Lá nos EUA tem uma diferença entre Publicidade (Advertising) e Propaganda (Publicity). Ele utilizou a divulgação institucional, propaganda institucional está no início das RPs.

Ivy Lee era tão sagaz , visionário que foi o primeiro a usar o sistema de “handout” ( distribuição de documentos para repórteres que contém informações sobre um determinado assunto) e facilitou a relação indústria-jornais.

“Declaração de Princípios” (Primeiro documento público das Relações Públicas)

A partir de 1919 Ivy Lee massificou a utilização da expressão Relações Públicas com o seu significado atual.

4- ROCKFELLERS, RELAÇÕES PÚBLICAS E A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM

Em 1914, Ivy Lee foi nomeado conselheiro especial de John D. Rockefeller Jr, John D. Rockefeller. Os Rockefeller estavam sendo atacados pela imprensa dos Estados Unidos pela forma como trataram a greve dos empregados na Colorado Fuel and Iron Co. O trabalho de Lee consistiria em melhorar a imagem dos Rockefeller, humanizando-os perante o grande público, no que foi bem sucedido, ligando-os à filantropia e à benemerência.

Você acha que as pessoas ficaram contra ou a favor de Ivy Lee? Claro que ficaram contra. Ivy Lee esta vendendo seus serviços para um grupo de big busineess que não tinham escrúpulos. Lee foi acusado de envenenador da opinião pública.

A partir de 1929 adquirem importância: Empresas de telefones, energia elétrica, ferrovias, bancos, universidades empresas de petróleo e produtores de bens e serviços recorreram às organizações especializadas em Relações Públicas para se comunicar com suas clientelas.

Franklin Roosevelt recorreu as Relações Públicas e a Publicity para conquistar a opinião pública norte-americana, abalada com a Grande Depressão.

Referências consultadas:

KUNSCH, Waldemar Luiz. Gênese e desenvolvimento do campo profissional e acadêmico das Relações Públicas no Brasil. In: KUNSCH, Margarida M. K (org.) Relações Públicas: história, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas. São Paulo: Saraiva, 2009.

GURGEL, João Bosco Serra. Cronologia da evolução histórica das relações públicas. Brasília: Linha Gráfica, 1985.

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