Congresso da Intercom discute o novo ecossistema midiático

No dia 04 de setembro, assisti o conferencista Dr. Rosental Calmon Alves (Universidade do Texas – Austin) que proferiu a conferência intitulada “Novo ecossistema midiático torna pesquisa em jornalismo e comunicação mais importante que nunca para as empresas e para a sociedade”.

Prof. Rosental dividiu sua apresentação em cinco momentos distintos: 1- Introdução, 2- sobre a Revolução Digital, 3- o novo ecossistema de mídia da Era Digital, 4- Ruptura do sistema de mídia da Era Industrial e 5- A crescente importância da pesquisa empírica em jornalismo e comunicação. A seguir alguns comentários sobre os tópicos da apresentação:

Na parte introdutória de sua conferência prof. Rosental abordou sobre sua trajetória profissional, destacando o início de sua carreira de jornalista e comunicólogo e o trabalho que desenvolve na Universidade do Texas; a sua relação com a web, na qual teve oportunidade de verificar sua evolução; o pioneirismo (participou ativamente da implementação do primeiro jornal on-line). Por fim, destacou aspectos do jornalismo multimídia e deu exemplos de questões que envolvem jornalismo e a convergência midiática.

Em seguida, destacou que existiram poucos processos revolucionários. Revoluções, explicou o professor, promovem caos e incertezas, são divisores de água, e são diferentes de evoluções. Pode-se, assim, sintetizar em quatro grandes momentos: o primeiro momento foi a passagem da oralidade para escrita; o segundo foi o tipo móvel de Gutemberg; terceiro foi a revolução industrial; o quarto foi a revolução digital marcado pelas redes.

A última revolução destacou prof. Rosental foi feita pela Internet, pois, apesar de TV, Rádio, imprensa terem sido importantes, não representam revoluções. A web deu a sensação de que era mais um canal, mas é muito mais do que isso.  Nas empresas e na academia, destacou, ainda há quem duvide ou não queira ver o tamanho das mudanças – um ceticismo similar aos das revoluções passadas. Mas as tecnologias digitais, explicou, representam muito mais do que a criação de um novo canal que se junta aos já existentes, como o processo de midiamorfose.

No terceiro momento, o professor apresentou o Ecossistema Digital e mostrou uma paisagem tipicamente amazônica, uma foto das Vitórias Régias. A analogia foi a seguinte: pense na quantidade de informações disponíveis, a variedade; o multimidiatismo, isso é comparado a diversidade amazônica. Posteriormente, comparou o Ecossistema Analógico [que costumeiramente o faz mostrando os desertos dos EUA], utilizou a imagem da vegetação típica da Caatinga. A seguir um quadro comparativo dos dois sistemas:

Ecossistema Analógico (Desértico) Ecossistema Digital (Amazônia)
Escassez de Informação Abundância de Informação
Escassez de Canais Abundância de Canais
Altas Barreiras de entrada Baixas Barreiras de entrada
Altos Custos de Produção Baixos Custos de Produção
Tendência Monopolista Mais concorrência
Comunicação Vertical/ Unidirecional Comunicação Horizontal/ Multidirecional
Limitação de Tempo/Espaço Sem Limites de Tempo/Espaço
Pacotes Fechados/ Estáticos Fluxos de informação aberto e dinâmico (noticia é viva)
Audiência de Massa Audiência Diversa/ Mais nichos
Audiência Passiva Audiência Ativa
Pouco ou Nenhum Feedback/ Monologo Abundante de Feedback/ Conversão
Produtor x Consumidor Produtor – Consumidor (Prosumer)

Fonte: Apresentação do Dr. Rosental Calmon Alves na abertura do XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom Nacional), Recife

Ao abordar sobre a ruptura do sistema de mídia da Era Industrial, destacou que a revolução digital impõe mudanças estruturais, radicais que vão continuar nas próximas décadas, criando o que Manuel Castells chama de Sociedade em Rede. O núcleo da Revolução Digital passou da competição para a conectividade ubíqua, permanente e interativa, que cria novas habilidades cognitivas, afeta profundamente o novo ecossistema de mídia e apressa obsolescência da comunicação.

“Passamos dos Ecossistemas onde predominavam os meios de massa a outro onde predomina uma massa de meios”. Ou seja, de um sistema midiacentrico para um sistema eucentrico, no qual cada individuo pode também ser mídia. Os meios de massa, assim, perdem poder e controle sobre a informação, mas não desaparecem e na cacofonia que surge. Exemplificou o cenário com as redes sociais, que mudaram o mundo e sentenciou: “não dá para continuar fazendo as coisas como fazíamos antes”.

No final da palestra, prof. Rosental retomou a questão “quem tem medo da pesquisa empírica”, destacando que “Nos EUA há um clima muito mais propicio a colaboração empresa-universidade do que quando cheguei há 15 anos”. E falou de três vantagens na Universidade em relação à pesquisa empírica e a relação com o setor empresarial: 1- Capacidade de realizar pesquisa empírica; 2- tempo para desenvolver pesquisas; 3- E a fonte da juventude: a população de nativos digitais é sempre jovem e acessível, trata-se do universo que mais interessa na comunicação.

Jonas da Silva Gomes Júnior | www.jonasjr.com | @jonasjr | jonasjr1@gmail.com

Um comentário

  1. Estou começando um projeto de iniciação científica sobre fluxo publicitário e intermidialidade e a tabela que você apresentou é incrivelmente útil para as minhas pesquisas iniciais. Como é um terreno que eu estou desbravando aos poucos é legal encontrar esse tipo de conteúdo pelo Google 🙂 Cheguei agora ao seu blog e vou dar uma olhada nos outros artigos a procura de algo que possa me ajudar!!

    Obrigada por compartilhar 🙂

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