CONHECENDO EDGAR MORIN

Edgar Morin
Edgar Morin

Quando se lê uma publicação (livro, revista, artigo..)  torna-se necessário compreender não somente o que está sendo dito, mas o “não dito”. Ler um clássico como Morin, por exemplo, sem compreender a formação pessoal, intelectual, fatos históricos importantes ou mesmo suas distintas inclinações, políticas, econômicas culturais é algo arriscado. A consequência é uma leitura fragmentada, parcelar e comprometida, pois  é como se negasse a completude do ser humano, autor, pai, filho, jogador…. Uma publicação científica ou não,  é uma expressão canalizada das múltiplas facetas de alguém.

Assim, a leitura eficaz deve começar pela compreensão do ambiente de produção da obra, o contexto histórico, as razões e objetivos da publicação, enfim os determinantes da expressividade intelectual de quem se lê.  Nesse sentido, gostaria de compartilhar algo muito interessante, trata-se de um breve Relato Biográfico do filósofo Edgar Morin, que está em “As Duas Globalizações: complexidade e comunicação uma pedagogia do presente”, organizado pelo prof. Dr. Juremir Machado. É um registro da trajetória de Morin que auxilia na compreensão da sua obra como um todo. Atente para os determinantes da produção intelectual do pensador, que ora estão expressos na obra moriniana, ora não são ditos, mas percebidos por quem se debruça nas leituras.

“Nascido em Paris, em 8 de julho de 1921, Edgar Morin graduou-se em História, Geografia e Direito (1942). Homem de idéias e de ação, engajou-se na “resistência” ao invasor nazista, entre 1942 e 1944, durante a ocupação da França pelos alemães. Os resistentes, na II Guerra Mundial, tiveram no jovem Morin (pseudônimo que Nahoum adotou na clandestinidade) um militante dedicado, entusiasta e corajoso. Subtenente das Forças Francesas Combatentes, vinculado ao Estado-Maior do 1 Exército Francês na Alemanha (1945), depois chefe do Serviço de Propaganda do Governo Militar Francês (1946), Morin esteve em várias frentes na luta contra o nazismo.

Finda a guerra, o apetite intelectual tomou o lugar da ação. Nascia o pesquisador interdisciplinar, curioso, interessado em tudo, da história à epistemologia, da sociologia ao cinema, da cultura de massas à filosofia erudita. Em 1950, Edgar Morin entrou para o Centre National de Recherche Scientifique (CNRSS), o prestigioso centro de pesquisa da França, ao qual ainda permanece ligado, tendo recebido o título de diretor emérito de pesquisas.

Espírito tentacular, inter, trans e multidisciplinar, Edgar Morin foi, entre 1973 e 1989, co-diretor do Centro de Estudos Transdisciplinares, sediado em Paris, responsável pela publicação da revista “Communications”, a qual Morin dirigiu pessoalmente até 1990. De 1956 a 1962, porém, o interesse pelos temas da cultura, da sociedade de massas e da indústria cultural já se fizera notar. Nessa época, Morin difigiu um periódico de grande influência no meio intelectual, a revista “Arguments”.

Edgar Morin é um dos pioneiros nos estudos da comunicação desde o ponto de vista da sociologia compreensiva. Com seu olhar ao mesmo tempo crítico, generoso, explicativo e compreensivo, escreveu alguns “clássicos” contemporâneos desse campo de conhecimento, entre os quais “O Cinema e o Homem  Imaginário” (1956), “As Estrelas” (1957), “Para Sair do Século XX” (1981) e “Cultura de Massas no Século XX: o espírito  do tempo” (1962). O autor de mais de 30 livros, Morin atingiu o apogeu com os quatro volumes de sua obra-prima “O Método”: Volume 1: “A natureza da natureza” (1977); volume II: “A vida da vida” (1980); volume III: “O Conhecimento do conhecimento” (1986); volume IV: “As idéias” (1995).

Presidente da Agência Européia para a Cultura e da Associação pelo Pensamento Complexo, Edgar Morin já recebeu o título de Doutor Honoris Causa nas universidades de Perugia, Palermo, Genebra, Bruxelas e Praga, além de inúmeros prêmios e condecorações, como o Laus Honoris Causa do Instituto Piaget, de Portugal, e a medalha da Câmara dos Deputados da República Italiana. A França concedeu-lhe o grau de oficial da “Légion d’ honneur”.

Em 1998, foi nomeado por Claude Allègre, ministro da Educação da França, para coordenar uma comissão de estudos para a reforma do ensino secundário francês. Em meio século de vida intelectual, Edgar Morin tornou-se uma referência no campo da Educação com suas propostas de reforma do pensamento, do ensino, da universidade e dos paradigmas acadêmicos de formação dos homens.”

Jonas da Silva Gomes Júnior | http://www.jonasjr.com | @jonasjr

5 comentários

  1. Jonas como sempre, nos brindando de forma generosa com seu conhecimento. Pois ele acredita que o conhecimento só eh conhecimento, quando compartilhado!!!. Valeu Jonas!!!

    • Realmente, Juliano. Há um problema em definir a especialidade de Morin (se filósofo, antropólogo, sociólogo… e outras), por isso chamam-no de “pensador”… Abraço,

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