Palestra discute a obra de Edgar Morin

Palestra sobre Edgar Morin na UFAM
Palestra sobre Edgar Morin na UFAM

Na última quarta-feira, na UFAM, acompanhei a palestra do professor doutor Edgard Assis de Carvalho (PUC-SP) intitulada “Edgar Morin e a Construção do Pensamento Complexo”. O professor veio ao Amazonas ministrar um módulo no curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA) e encerrou suas atividades com a referida palestra.

Edgard Carvalho havia se comprometido com uma “missão impossível”:  em 1 hora ressaltar aspectos das principais obras de Edgar Morin e estabelecer uma relação com sua trajetória de vida. “Articular de um lado o pensador e por outro seu pensamento é algo desafiador”, ressaltou. Sem dúvida, um grande desafio, afinal, por se tratar de um tempo tão curto (1 hora) e a complexidade inerente ao pensamento de Morin.

Morin é considerado uma das figuras mais importantes do Século XX. Assim, seus seguidores são muitos, em especial na área da Educação, cujo trabalho repercute na formação pedagógica dos profissionais. Contudo, a influência das idéias de Morin está disseminada nos mais diversos campos científicos (Comunicação é um deles). Por outro lado, críticos também não lhe faltam. Morin possui críticos ácidos, moderados e os de “orelhinha”.  As criticas vão desde a questão que Morin usa excessivamente metáforas, o pensamento complexo é uma abstração sem sentido, criticado ainda por “esvaziar” o discurso da ciência. Confira alguns tópicos da complexa missão de Carvalho:

100% tudo

Carvalho relatou que ao ouvir Morin pela primeira vez, na França, ele ministrava sobre a relação homem-natureza-cultura, afirmando que Homem é 100% Natureza e 100& Cultura. Na sua formação de base antropológica, Carvalho, teria aprendido que era 50% de cada. O confronto de idéias despertou-lhe o desejo de conhecer mais afundo.

A pessoa de Morin

Dentre os aspectos pessoais, Carvalho destacou momentos de seu convívio com o francês, o fato de Morin ser muito refratário e avesso a psicanálise; um grande fato que influenciou seu pensamento foi a morte de sua mãe (fato que teria gerado o livro “O homem e a morte”); a perseguição sofrida e a necessidade de criar um codinome para transitar na Ciência;  destacou ainda breves aspectos das amizades que influenciaram seu pensamento e desenvolvimento intelectual;  é um cinéfilo, assiste uma variedade de gêneros, e acreditava que o cinema tem uma força antecipatória, um papel fundamental.

Obra de Morin

Marco importante na trajetória de Morin foi sua ida à Califórnia. Além dos devaneios da mocidade, Morin insere-se no Instituto de Pesquisas Biológicas. É nesse instituto que Morin tem contato com a Cibernética, Teoria dos Sistemas e a Biologia (são esses eixos a base teórica da Complexidade); Carvalho destacou que a obra de Morin é uma obra aberta, são 70 livros publicados e há ainda as edições clandestinas [que Morin gosta por se tratar de uma forma de disseminação do conhecimento]; Há diferentes formas de se agrupar as obras de Morin. A obra tem sido agrupadas em macrotemas: Pedagogia, Métodos, Transcrição Oral, Complexidade; 3 eixos da obra de Morin: 1- Dialogia entre vida e obra 2- Indisociabilidade entre sujeito e conhecimento 3- Ética e Antropoética

El Método

Destacou brevemente aspectos sobre cada um dos volumes da obra “O Método”, que é uma das principais obras de Morin: O método 1: a natureza da natureza; O método 2: a vida da vida; O método 3: o conhecimento do conhecimento; O método 4: as idéias; O método 5: a humanidade da humanidade; O método 6: ética.  Carvalho ressaltou um problema com o termo. “Método não é um caminho exclusivo, um receituário”. Método, na verdade, é o caminho que se faz ao andar. Edgard, disse que discorda de muitos aspectos da obra de Morin. Não se considera um moriniano. Ele afirma que teve que conhecer aspectos fundamentais para difundi-los.

A necessidade da Transgressão

Sublinhou Carvalho sobre a necessidade de transgressão do conhecimento. Segundo ele, é necessário transgredir a fronteira disciplinar para refletir sobre os problemas do mundo. Além disso, é preciso conhecer a disciplinaridade para transdisciplinar. “Para desteriorilizar é preciso territorializar a fronteira”. Só é possível avançar, transgredir quando se tem fundamentos para isso, pois “o conhecimento é biodegradável”.  O intelectual que se decide pelo Complexo não se rege pela lógica da Convenção, mas pela lógica da Ousadia.

Missão de Carvalho

Ao final da palestra, notei que a missão que Prof. Edgard Carvalho termina onde começou: na mente de cada um, que decidirá se irá ou não pensar, refletir, raciocinar e progredir no conhecimento complexo das relações do mundo.

Jonas da Silva Gomes Jr | http://www.jonasjr.com | @jonasjr

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