Redes sociais: a terminologia e sua (re) significação

Nos últimos anos, tem-se falado muito sobre o termo “redes sociais”, em especial na rede mundial de computadores, nos veículos de comunicação, no cotidiano das pessoas e também na academia. O termo ganhou ainda mais amplitude com o advento das Mídias Sociais e quando os veículos midiáticos passaram a utilizá-lo com freqüência para designar a comunicação entre pessoas e agrupamentos on-line.

Dessa forma, a terminologia ganhou feições populares e suas significações também. A ampla utilização do termo de forma “deslocada” passou a desgastá-lo do ponto de vista sociológico e antropológico. As reais significações das “redes sociais” foram alteradas e, por conseguinte, novos sentidos foram salientados. No senso comum as redes sociais são representações dos avanços informáticos e tecnológicos.

Nesse sentido, é bem ilustrativo um vídeo produzido pela equipe do “Nós da Comunicação” na Escola Superior de Propaganda em Marketing em 2008, no Rio de Janeiro, durante a Maratona de Comunicação e Design, quando foi perguntado aos alunos “O que são redes sociais?”. As respostas dadas tinham o seguinte direcionamento: “a relação entre as pessoas dentro da Internet”, “conexões entre pessoas, pelo Orkut, Facebook, MySpace”, “conceito mais na Web 2.0, nas comunidades de Orkut, Blogs, nas redes de relacionamentos pessoais”.

É preciso dizer, no entanto, que as redes sociais não se originaram a partir da Internet e nem surgiram com advento da Web 2.0 e seus sites. Na verdade, elas são tão antigas quanto à história da humanidade, os primeiros agrupamentos humanos já desenvolviam relacionamentos em formato de redes, depois foram complexificados por movimentos sociais, agrupando-se por meio de conexões interpessoais, para atingir os objetivos econômicos, sociais, políticos. Wellman acrescenta que:

Redes sociais complexas sempre existiram, mas os desenvolvimentos tecnológicos recentes permitiram sua emergência como uma forma dominante de organização social. Exatamente como uma rede de computadores conecta máquinas, uma rede social conecta pessoas, instituições e suporta redes sociais. (WELLMAN apud RECUERO, 2009, p.93)

 Com essa colocação, pode-se compreender que a Internet originou uma nova modalidade de conexões entre indivíduos e agrupamentos. Os cientistas da computação e universitários foram os primeiros a experimentar as novas relações por meio do desenvolvimento tecnológico. Castells (1999) relata que os cientistas se aproveitaram da interação mediada por computador para compartilhar suas ambições acadêmicas, mas também relações pessoais e “ficção científica”.

Modernamente, sites como o Orkut, Fotolog, Facebook, Twitter, dentre outros remodelaram e complexificaram o conceito de redes sociais, uma vez que suas estruturas permitem a interação entre as pessoas e agrupamentos, dinamizando as relações existentes e criando outras. Tem-se, por fim, um novo paradigma gerado a partir da interação mediada por computador (IMC).

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999. 
 RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

Jonas da Silva Gomes Jr | http://www.jonasjr.com

 
 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s