Livro Introdução ao Pensamento Complexo (Edgar Morin)

Capa do Livro Introdução ao Pensamento Complexo
Capa do Livro Introdução ao Pensamento Complexo

Introdução ao pensamento complexo, de Edgar Morin, é um livro primoroso, que serve de pedra angular para aqueles que desejam reconhecer os princípios da Complexidade. O livro é composto por uma seleção de textos feita por Françoise Bianchi e possui 6 capítulos: a inteligência cega, o esboço e o desígnio complexos, o paradigma da complexidade, a complexidade e a acção, a compliexidade e a empresa, epistemologia da complexidade. Como o livro é composto por textos escritos, apresentados em forma de palestras e discussões, alguns conceitos surgem repetidas vezes, contudo, tal fato que poderia se tornar enfadonho acaba sublinhando idéias e preceitos, uma vez que acabam sendo apresentados de formas distintas e complementares. Assim, a abordagem diferente de conceitos ajuda a obter perspectivas diferenciadas sobre as bases do pensamento, bem como sua natureza e seus fundamentos. Em alguns momentos, a leitura do livro exige uma adequada capacidade de abstração e conhecimentos prévios na área de ciências, discussões sobre epistemologia certamente aumentam o fluxo da leitura, facilitando-a. Abaixo alguns comentários sobre os capítulos da obra.

O prefácio do livro já apresenta questões fundamentais para discussão: Morin fala sobre a palavra “complexidade”, o que ela tende a expressar e como ela surgiu em sua mente. Destaca ainda um caminho que evidencia a necessidade do pensamento complexo: 1-aparecimento dos limites, insuficiências e carências do pensamento simplificador, 2- condições nas quais não se pode prescindir do desafio do complexo, 3- questionar se existem complexidades diferentes, 4- método capaz de revelar o desafio da complexidade. Morin explicita que há uma necessidade premente em dissipar duas ilusões: 1-a complexidade conduz a eliminação da simplicidade e 2-confundir complexidade com completude.

No primeiro capítulo, a Inteligência cega, Morin fala sobre a condição da ciência e pontua aspectos que revelam a necessidade de uma tomada de consciência “radical”: falha no modo de organização do nosso saber, ignorância no desenvolvimento da ciência, cegueira no uso da razão, o progresso cego do conhecimento que ameaça a Humanidade. Em seguida, usa o exemplo da passagem da visão geocêntrica para a heliocêntrica e o sistema socialista da URSS para enfatizar o problema da organização do conhecimento e seus mecanismos. Dependendo o mecanismo utilizado a visão muda totalmente e não é possível compreender a complexidade do problema. No item “a patologia do saber, a inteligência cega” o autor aborda diferentes aspectos sobre a natureza do pensamento cartesiano, chamado por ele de paradigma da simplificação. Assim, destaca: Descartes e sua proposição, a separação entre filosofia e ciência, rigor na medida e no cálculo, isolamento dos campos científicos (física, biologia, humanas), redução do complexo ao simples. A inteligência cega, fruto daquele pensamento, é criticada pelo autor, assim como algumas de suas conseqüências. Por fim, aborda sobre a necessidade do pensamento complexo. Nesse sentido, apresenta diferentes posicionamentos sobre a complexidade, enfatizando a possibilidade de os esclarecimentos sobre a complexidade tornarem-na “cega”. Aborda ainda sobre a complexidade nas ciências, a emergência do pensamento complexo nos fenômenos antropo-sociais.

No segundo capítulo, Morin aborda sobre a base das ciências humanas, que ainda tem base na física. Fala do seu percurso: reintegrar o homem entre os seres naturais, desenvolver uma epistemologia da complexidade, buscar a unidade da ciência e a teoria da mais alta complexidade humana. Ao situar o pensamento complexo, Morin o coloca na fronteira entre dois clãs antagônicos: “um que esmaga a diferença reduzindo-a à unidade simples, o outro que oculta a unidade porque só vê a diferença” (p.26). Morin diz que há uma necessidade de uma “reorganização em cadeia” daquilo que conhecemos sob o conceito de ciência. Nos itens subseqüentes Morin destaca as mudanças na concepção de ciência/mundo, fala da ruptura e abalo dos fundamentos das ciências clássicas por meio de “brechas” epistemológicas (microfísica e macrofísica). Em seguida, Morin aborda sobre a teoria dos sistemas, teoria da informação.Sobre a Teoria Sistêmica e fala do seu potencial de abrangência teórica, posto que qualquer coisa pode ser vista como um sistema, apresenta aspectos da teoria dos sistemas, tais como as diferentes direções operacionais que ela pode assumir para quem faz uso dela, destaca que a origem do sistemismo é o mesmo da Cibernética,  apresenta as principais virtudes sistêmicas ( o centro teórico ter uma unidade complexa e não unidade elementar, assim o todo não se reduz as partes; a noção de sistema ser ambígua; situar-se em um nível de transdisciplinaridade e, por isso, ser abrangente). No item sobre o sistema aberto aborda sobre a origem do conceito, que está na noção da termodinâmica. Morin faz uso da noção de sistema aberto/ fechado para dar base a Complexidade: relação de equilíbrio/desequilíbrio, necessária para manutenção do sistema, e relação do sistema com o meio (relação essa constitutiva do sistema e não só de dependência). Nesse item, Morin ainda destaca a idéia de Sistema aberto no pensamento na psicologia e antropologia; fala sobre o teorema de Godel e destaca a entrada da teoria de sistemas nas Ciências Humanas. Ao falar sobre a informação, Morin afirma que se trata de uma noção importante, mas problemática e exige um aprofundamento teórico. O autor fala das problemáticas das abordagens que foram dadas (comunicável e estatística), o campo de emergência (telecomunicaçãoes) e explicita as relações que a informação estabelece com a física e a biologia. No aspecto Organização Morin destaca que o conceito ainda está em fase de elaboração, faz diferenciações entre organizacionismo (princípios de organização) e organicismo (aplicação ao social). Isso para abordar sobre a auto-organização. Fala da incapacidade das abordagens citadas em compreender tal fenômeno e as bases, tece comentários sobre a auto-organização e a cibernética. Evidencia três pontos que indicam o inicio teórico da auto-organização. Relaciona o sistema-auto-organizado ao meio e compara com o sistema fechado. Em seguida, aborda sobre as contradições relacionada a idéia de Complexidade, sua natureza e conotações; aborda ainda sobre os terrenos onde a Complexidade já se fazia presente (na Filosofia e na Ciência), contudo afirma que foi com a Cibernética que a complexidade entra em cena na Ciência. Depois o autor passa a falar sobre a complexidade enquanto fenômeno, que se compreende quantitativamente e também incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios.  Passa apresentar os caracteres exteriores do problema teórico da complexidade lógica: a relação objeto-sujeito que precisa ser mudada. Morin destaca que a complexidade não só supõe o mundo [como uma realidade ecossistêmica]  e reconhece o sujeito, mas coloca-os de maneira inseparável. Nesse sentido, aborda a relação ente sujeito e objeto, criticando o posicionamento da Ciência Ocidental, a eliminação positivista do sujeito, a herança de Descartes e a dualidade entre as dimensões, sujeito como ruído. Destaca ainda que seu percurso foi trilhado pelo sujeito (ele mesmo, Morin) e objeto intrínsecos, além de base na cibernética e pelo conceito de Auto-Organização [com indeterminismo e acaso]. Em seguida, Morin fala do pesquisador/objeto, da necessidade epistemológica da complexidade e esboça um ponto de vista epistemológico que visa permitir criticas, ultrapassagem e reflexão teórica.  Fala de sua empreitada, as bases que já tinha sido lançadas. Fala das exigências epistemológicas do pensamento e tece opiniões sobre: seu conjunto teórico metodológico epistemológico: coerente, aberto, vasto, multidimensional, teórico (e não doutrinal), aberto para incertezas. Isso é a Scienza NUeva. Morin fala ainda da possibilidade de unificação das ciências, contudo diz que isso só é possível no campo da physis. Ressalva que tal unidade não pode ser apenas uma generalização reducionista, fala da perspectiva transdisciplinar, critica a ciência clássica e fala da necessidade de integração das “realidades banidas” por ela. A necessidade de existir o acaso, a imprevisibilidade, que foram banidos pelas ciências clássicas, é ressaltada.  Por fim, Morin expõe que as alternativas clássicas não são absolutas, a necessidade de avançar sobre o holismo e reducionismo numa perspectiva de ligação dialética entre pensamento analítico-reducionista, afirma que a Scienza Nuova não destrói as alternativas clássicas e não traz uma solução única e verdadeira. Na ultima seção Morin fala da necessidade da viragem paradigmática que reclama uma mudança profunda no pensamento, nos alicerces do raciocínio.

No capítulo 3 Morin começa fazendo uma desmistificação: a complexidade não está apenas na Ciência, mas na vida cotidiana. Ele diz que tal perspectiva estava clara no Romantismo. Depois, faz contrapontos com a visão científica, em especifico a de Laplace, Descartes e Newton. Depois Morin passa a falar sobre o paradigma da simplicidade, dizendo que é primordial conhecê-lo para entender a complexidade. Antes, porém, dá características da simplicidade, depois exemplifica no homem. Tece ainda comentários sobre o conhecimento cientificio e a visão da simplificação. Fala sobre a obseção da ciência e da visão da simplificiação, exemplificando com a física – a criação de leis e a a busca pela unidade indivisível. Ressalta a existência da ordem  e desordem no universo, exemplo do remoinho o big-bang. Fala da necessidade da união da noção de ordem e desordem.  A necessidade dos fenômenos desordenados para manutenção da ordem. Fala dos organismos, células (que morrem, se renovam para continuar). Critica os metafísicos, que buscam compreensões místicas e eufóricas do mundo, assim sua relação com a complexidade é prejudicada. Nosso mundo comporta harmonia, mas esta harmonia está ligada a desarmonia.  Em seguida aborda sobre a auto-organização, criticando o espirtualismo e materialismo generalizado, redimensiona a compreensão sobre o sujeito, afirma que sujeito é “colocar-se no centro do seu próprio mundo, é ocupar o lugar do ‘eu’” (95); amplia também o conceito de autonomia humana, fala da necessidade da dependência para garantir a autonomia. recorrendo, inclusive, à literatura romancista. Morin seguidamente passa a explicar e diferenciar complexidade (chama a atenção para o fato de que há vários modos de complexidades) de completude (essa é, na verdade, constituinte daquela). Faz um contraponto com a visão clássica, na qual contradição é sinônimo de erro, já na visão complexa representa atingir uma camada profunda da realidade. Morin critica a visão unidimensional nas ciências humanas e sociais, exemplificando com a economia. Em seguida diz que “qualquer visão especializada, parcelar é pobre” (100). Em seguida, Morin explana sobre os “instrumentos” que permitem conhecer o universo complexo: a natureza racional (razão, racionalidade e racionalização). Primeiramente, distingue racionalidade (diálogo incessante com a realidade) de racionalização (explicação simplista que busca encerrar a realidade num sistema coerente). Explicita aspectos da paranóia (um tipo de racionalização). Fala de dois tipos de “delírio” que homem tem e da necessidade da autocrítica da noção de razão. Na seção conclusiva do capítulo, Morin aborda sobre a necessidade dos macroconceitos e apresenta três princípios que ajudam a compreender a complexidade do real. Morin apresenta o princípio dialógico, o da recursão organizacional e o hologramático. O primeiro é exemplificado na organização viva e caracteriza-se por manter a dualidade no seio da unidade, associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos, como ordem e desordem. O segundo princípio leva em conta a idéia de que tudo o que é produzido volta sobre o que produziu em um ciclo ele mesmo autoconstitutivo, auto-organizador e autoprodutor. O terceiro principio diz que a parte está no todo, mas o todo está na parte. Nesse último principio Morin exemplifica no mundo biológico e sociológico (nesse sentido também aborda o papel dos sociólogos). No final, faz criticas ao método de Descartes e traça comparações entre o paradigma da simplificação e o pensamento complexo.

No capítulo 4 “A complexidade e a Ação” e capítulo 5 “A Complexidade e a Empresa” Morin faz uma abordagem prática da complexidade. São capítulos destinados a apresentar a visão pragmática da complexidade e seu potencial utilitário. No capítulo 4 Morin ressalta o caráter de aposta da ação, destacando o risco e a incerteza, caracteriza a estratégia e a fala da necessidade do acaso/aposta, ampliando a noção de ação. O filósofo fala que as ações escapam às intenções de quem as empreende, aborda sobre a qualidade boomerang da ação, a ação supõe a complexidade (imprevisto, acaso, iniciativa, decisão, consciência dos desvios e transformação), diferencia os termos estratégia e programa, dizendo que o estrategista deve se beneficiar do pensamento complexo, destaca a fragilidade da visão simplificada. Morin aponta o conceito de trivial e diz que sociedade, empresa e homem não são triviais. Morin alerta sobre as crises e que nelas é preciso abandonar os programas e criar estratégias. A complexidade, sintetiza Morin, torna prudente, atento, não deixando adormecer na trivialidade. Já no Capítulo 5, o pensador inicia suas reflexões utilizando um exemplo de uma tapeçaria contemporânea para mostrar a necessidade da complexidade. Passa, então, a usar o exemplo para apresentar etapas da complexidade: 1-Um todo é mais do que a soma das partes que o constituem, 2-o todo é então menor que a soma das partes, 3- O todo é simultaneamente mais e menos que a soma das partes. Em seguida, Morin destaca que uma visão hetero-produtora da empresa é insuficiente, fazendo-se necessário o entendimento de que ao produzir coisas e serviços, a empresa, simultaneamente, autoproduz-se. Fala sobre três causalidades que estão na Sociedade, decorrentes do pensamento complexo: Causalidade Linear, Causalidade Circular Retroactiva, Causalidade recursiva.  Depois, afirma que as empresas são auto-organizadas e fazem sua autoprodução, além disso, expõe que a empresa está situada em um meio, que está em um ecossistema, destaca que o principio da auto-organização tem valo hologramático, contrapõe a visai simplificada a visão complexa. Em tópico posterior, Morin explica o que é ordem e desordem e destaca que as organizações têm necessidade de ambas, em seguida volta a opor a noção de estratégia e programa, aborda sobre as relações complementares e antagônicas por meio de exemplos práticos e finaliza falando sobre à necessidade dos antagonismos para existência da complexidade organizacional.

O texto do capítulo 6, A epistemologia da Complexidade, é proveniente das discussões feitas em um evento científico, em Lisboa, entre Edgar Morin e um grupo de professores de diferentes áreas (Filosofia, Física, Biologia, História, Psicologia Social e Literatura). O texto é uma transcrição das falas de Edgar Morin na conferência e das questões respondidas por ele. Morin faz uma introdução falando com base em algumas indagações feitas a ele pelos participantes do evento. Começa falando sobre dois problemas que ele tinha que resolver: rever as notações feitas por ele no turno de discussões anteriores e almoçar. Ele disse que não conseguiu resolver o primeiro problema. Fala de suas impressões sobre as perguntas feitas pelos participantes e elogia os questionamentos e intervenções dos participantes, mas evidencia a questão sobre um mal-entendido, que era a impressão que Morin transmitia uma certa onipotência, em relação ao paradigma da complexidade. Destaca o pensador que se ele se auto avaliasse verificaria uma tensão interna com motivações contrárias: “por um lado, o esforço incansável para articular os saberes dispersos, o esforço para a reconstituição e, por outro, o contramovimento que os destrói” (139). Em sentido complementar, sublinha que gostaria de integrar pensamentos diversos e adversos, as percepções que os outros tem dele, fala da tensão trágica entre seus gostos por síntese e desordem, metanível da contradição. Outro mal entendido é sobre a velocidade da sua escrita: destaca seu processo de escrita e critica a leitura apressada de seus críticos, falando da necessidade de interrogar os mal-entendidos. Em seguida, sintetiza a razão dos mal-entendidos em relação à ele e exemplifica com a questão de sua posição política, que segundo ele, é de direita e esquerda. Assim, muitos o vêem como “confusionista”, visto que é preciso ter um lado. Morin critica essa visão e fala se sua interface entre filosofia e ciência. No segundo momento, passa a apresentar alguns problemas-chave Depois, passa a abordar sobre sua relação com a ciência, já que alguns o tomam como vulgarizador da mesma.Morin defende-se e fala do seu primeiro volume, O método 1: A natureza da natureza, apresentado a questão da termodinâmica, relação díspar entre o principio físico e biológico, que se apresentam com interface, mas distintos. Diz que sua intenção não era vulgarizar a termodinâmica, mas entendê-la. Apresenta justificações a missão que lhe foi confiada, a primeira e o não aceite a compartimentalização do conhecimento e a fragilidade das idéias gerais. Em seguida, destaca algumas abordagens sobre a complexidade. Começa falando sobre o que é a idéia complexa e apresenta pontos fundantes: complexidade e o desafio e não a resposta, desmistifica a complexidade, afirmando que essa comporta a idéia da imperfeição e incerteza; a simplificação é necessária, mas deve ser relativizada; diferencia a “redução consciente” da “redução arrogante”. Cita o segundo volume do método, no qual a firma e redimensiona a compreensão sobre a complexidade afirmando que se trata da união de simplicidade e complexidade. O autor fala sobre o desenvolvimento do pensamento, sobre a sua aceitação da contradição e incerteza, acrescenta que a complexidade encontra-se no âmago da relação entre o simples e o complexo. Em seguida, tece comentários sobre as características da complexidade, dizendo que esta é : dialógica ordem/desordem/ organização; o mérito da complexidade que é a denúncia da metafísica da desordem; a relativização da complexidade; pensamento que considera o mundo, fala da formulação de algumas regras sobre a complexidade (estão contidas em Ciência com Consciência.) Depois desse aspecto, Morin fala sobre o desenvolvimento da ciência e redimensiona essa compreensão, explica porque que a ciência é complexa, comprovando por meio das bases, princípios e características motoras da ciência. Ele exemplifica por meio da biologia molecular. Posteriormente, expõe sobre a questão do ruído e informação. Nesse sentido, esclarece algumas visões (algumas contidas nos tomos método 1 e 2): o ruído não é a única fonte do novo, a insuficiência sobre a alta e baixa complexidade, sobre a imcompreensiblidade do tetragrama (ordem/ desordem/ interacção/ organização), fala sobre a teoria da informação e a neguentropia que perdeu sentido conceitual. Em seguida, diferencia informação de conhecimento, apresenta questões sobre a informação e sua constituição, destaca a necessidade do conhecimento, apresenta definições sobre “conhecer”, “ideologia” e “paradigma”, nesse última fazendo uma distinção entre a perspectiva de Kuhn. Depois, tece argumentos, em resposta aos questionamentos, sobre a relação da ciência com a filosofia, sociedade e psicologia. Primeiramente, sublinha a necessidade da união entre filosofia e ciência e critica o conformismo científico sobre sua autoaplicação. Sobre a sociedade, destaca que a relação ciência-sociedade é muito complexa, sendo difícil perceber as interretroações. No que diz respeito à psicologia destaca sua insuficiência em tomar contato com o pensamento de Piaget, reconhecendo que a dimensão psicológica, às vezes, é secundarizada em suas análises. Em resposta aos questionamentos feitos, Morin fala sobre a sua subjetividade intelectual, afirmando que é “um autor que não se esconde” (em objetividades de idéias), fala de seus aspectos intelectuais e do uso de metáforas em seus trabalhos e pensamentos. Nesse sentido, enfatiza a importância da “migração dos conceitos”, que tem permitido à ciência e as disciplinas “evitarem a asfixia e o engarrafamento”, e defende o uso de metáforas como uma forma de expressão científica. Por fim, Morin faz considerações sobre a “razão evolutiva” , critica a racionalização, afirmando que ela destrói a razão, diferencia a verdadeira racionalização e falsa racionalização. Em seguida, cita o seu livro “O paradigma perdido: a natureza da humanidade”, ressaltando a idéia de que a Humanidade nasceu várias vezes, fala da idade de ferro planetária e da importância da complexidade.

Jonas da Silva Gomes Júnior | http://www.jonasjr.com

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