Livro apresenta aspectos básicos sobre Semiótica

Capa do livro

Para aqueles que desejam conhecer os princípios da Semiótica, recomendo a leitura do livro da Coleção Primeiros Passos “O que é semiótica”, da Profa. Dra. Lúcia Santaella (PUC). É um bom início para aqueles que desejam conhecer as bases da área. Trata-se de uma leitura aproximativa, com uma linguagem clara e objetiva. Dra. Santaella é reconhecida internacionalmente como uma das pesquisadoras referencias na área, tendo lançado nos últimos anos vários livros sobre a matéria. No livreto nota-se um esforço no sentido de não fazer uma análise superficial dos conceitos, mas, ao mesmo tempo, apresentar os pressupostos básicos da Semiótica Peirciana. A missão difícil é desempenhada com certo êxito por parte da autora, contudo vale ressaltar que a leitura é uma leitura introdutória, necessitando de complementações literárias.

O livro está dividido em 6 partes. No primeiro capítulo “Primeiros passos para a Semiótica” a autora discute sobre o termo semiótica, apresenta uma definição, destaca o crescimento de duas ciências da linguagem (Lingüística e Semiótica), a diferença entre língua e linguagem, ampliando a compreensão sobre linguagem e, por fim, apresenta uma definição sobre semiótica e comenta sobre o vasto limite teórico do campo de investigações semióticas.

No capítulo seguinte, “O legado de C.S. Peirce”, a autora destaca o fato de que a origem da Semiótica divide-se em três correntes (americana, russa e européia) e afirma que se deterá a análise da corrente semiótica americana e ao seu criador Chales Sanders Peirce. A autora expõe aspectos da vida de Peirce, tais como curiosidades (Peirce escreveu um livro aos 11 anos, o fato de ser matemático, físico, astrônomo e biólogo, conhecia mais de 10 línguas, deixou mais de 80 000 manuscritos para a posteridade), vida profissional e científica, o vasto domínio das correntes filosóficas e, destacadamente, a paixão pela lógica e a relação intrínseca entre as bases da Semiótica.

O terceiro capítulo “Para se ler o mundo como uma linguagem” é uma extensão do anterior, pois apresenta pensamentos de Peirce, contudo, está mais orientado para as bases científicas do pensamento peirciano. Nesse sentido, Santaella afirma que a Semiótica é parte do sistema filosófico de Peirce, com isso sua compreensão se dá com o entendimento deste sistema. Santaella apresenta a arquitetória classificatória das diferentes ciências e das relações que elas tem entre si.

No capítulo “Abrir as janelas: olhar para o mundo” Santaella apresenta aspectos sobre a fenomenologia segundo Peirce, as faculdades que devem ser desenvolvidas para as análises, sobre as categorias que Peirce estabeleceu (modo como foram inicialmente concebidas e a evolução neste pensamento). A seguir apresenta as denominações iniciais das categorias (1-Qualidade, 2-Relação e 3-Representação) e as posteriores: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade; aborda sobre a aplicação das categorias do pensamento à natureza e, por curiosidade, sintetiza a aplicação das categorias em campos distintos; sintetiza uma aplicação das categorias de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade no campo cognitivo.

No item “Para se tecer a malha dos signos” Santaella recorre a citações dos escritos de Peirce a fim de esclarecer pontos chaves de suas proposições. Nesse sentido, são utilizadas para abordar a intenção científica de Peirce com a Semiótica, sobre a Lógica e o processo de significação. A autora faz esclarecimentos sobre a definição de signo, apresentando em seguida um gráfico sobre a composição do signo (fundamento, objeto e interpretante). Posteriormente, a autora se detém a explicar a classificação triádica dos signos. A autora destaca que foram estabelecidas 10 tricotomias, resultando em 59 049 tipos de signos, contudo destacam-se três grandes tríades, que são mais reconhecidas e disseminadas: relação signo consigo mesmo, relação do signo com seu objeto dinâmico e relação signo com o interpretante. A compreensão sobre as relações signicas é destacado em seguida: a qualidade do signo (quali-signo), iconicidade e rematismo; a existência do signo (sin-signo), indicialidade e dicente; a lei do signo (legi-signo), simbolismo e argumento. A autora apresenta na seção “Outras fontes e caminhos” a corrente russa e européia, que compõem uma visão panorâmica da semiótica. Destaca o trabalho dos filólogos russos Viesse-lovski e Potiebniá e lingüista Ferdinand Saussure. Em seguida delineia aspectos sobre cada corrente.

Jonas da Silva Gomes Junior | http://www.jonasjr.com

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