Mesa discute os processos midiáticos contemporâneos na Miepex

Jonas Jr (Crédito: Denise Rodrigues)
Durante a apresentação de Jonas Jr (Crédito: Denise Rodrigues)

A seguir a síntese das apresentações feitas na mesa-redonda intitulada “PROCESSOS MIDIÁTICOS CONTEMPORÂNEOS: ETICIDADE, EDUCAÇÃO E SISTEMAS SOCIAIS”, que fez parte da programação da I Mostra Interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão (I MIEPEX):

Comecei destacando aspectos sobre a proposta da Mesa-redonda e, depois, falei sobre o Ethos Midiatizado, abordagem que é feita por Muniz Sodré, enfoquei a discussão sobre a Revolução e a Mutação Tecnológica. Ambos os termos destacados, segundo Sodré, devem ser repensados em suas formas de utilização e abordados com parcimônia. Ressaltei, assim como o faz Sodré, que dentre os setores que são mais influenciados pela questão midiática, está a política. A partir daí passei a exemplificar a questão mostrando as 10 leis de Marketing Político e exemplos de políticos que foram transformados pelos recursos midiáticos (Lula, Collor, Celso Pitta e outros). Fiz comentários sobre o vídeo “Comédia Eleitoral”, que exibe candidatos políticos (Tiririca, mulher Pera, Ronaldo Esper, Maguila e outros) que se utilizaram da mídia para tentar conquistar os eleitores e angariar votos. Por fim, mostrei o exemplo emblemático, que foi a disputa eleitoral de 1989, quando Lula perdeu a eleição para Collor. Nessa a mídia teve papel preponderante, pois houve um trabalho de edição dos debates e o “pacto” midiático no qual deveria ganhar o candidato esteticamente mais bem preparado.

Carolina Brandão (crédito: Denise Rodrigues)
Durante a apresentação de Carolina Brandão (crédito: Denise Rodrigues)

Em seguida, Carolina Brandão iniciou sua apresentação com uma interessante imagem na qual havia um anjinho e um diabinho de um lado. A imagem representava o posicionamento que cada um precisava ter frente às diversas questões. Em seguida, outras provocações foram feitas pela colega com a pergunta “Quais os valores que sustentam essa sociedade?” “O que é importante para essa sociedade?”. Essas foram ancoradas a partir da exibição de imagens que se contrapunham (por exemplo, uma pessoa faminta e outra se alimentando muito bem, outra, uma pessoa dormindo no relento e outra em cama extremamente confortável). Depois deste primeiro momento, Carolina apresentou o conceito de ETHOS e HEXIS, destacando que para Muniz Sodré, o primeiro relaciona-se a costumes e hábitos que estão arraigados nas mentes e práticas de cada um e o segundo que liga-se a liberdade da prática reflexiva. Carolina utilizou o pensamento de Sodré: “Somente através de uma hexis educativa é possível ultrapassar a moralidade do Ethos social”. Depois, em concordância com o autor, destacou que somente a educação é capaz de redimensionar o posicionamento, do Ethos para a Hexis. A Hexis representa uma avanço assim. Nessa perspectiva, afirmou que é preciso repensar as práticas na Universidade, que, segundo ela, pode ser considerada uma das instituições mais conservadoras da sociedade. Tal necessidade está atrelada a condição do Conhecimento, que passa cada vez mais a ser líquido, fluido na sua essência. Por fim, Carolina abordou 3 revoluções que afetam as Universidades: 1. Ciência e tecnologia, 2. Relaçao com empresas, 3. Relações com o Estado (formar os estrados mais altos da intelectualidade administrativa, mas também atender a demanda para o funcionalismo público e Ritmo de aprendizagem dos saberes.

Andriele, por sua vez, apresentou sobre a Mídia e a Notícia, na perspectiva de Luhman. Sua fala

Andriele Marques (crédito: Denise Rodrigues)
Durante a apresentação de Andriele Marques (crédito: Denise Rodrigues)

introdutória destacou as atribuições da notícia, que elementos caracterizam a notícia como tal. A apresentadora destacou aspectos sobre a elaboração e processamento de informações, bem como o fato de que as informações em forma de notícias supõe-se e acredita-se que sejam corretas, verdade. Fatores como prestígio, fontes, inverdades, interesses especiais foram enfocados, com a intenção de desmistificar o caráter “puro” da notícia. Andriele sintetizou dizendo: O problema não está na verdade e sim, na seletividade. O primeiro exemplo, nesse sentido, foi a matéria veiculada no site do estadão, no qual a chamada diz “Tiririca renderá 2,7 milhões por ano para seu partido ”. Em seguida, apresentou cada um dos seletores de notícias, elementos que são considerados critérios para tornar-se notícia: Informação nova, Conflitos, Quantidade, Relevância local, Transgressões à norma, Julgamentos morais, Agentes, Atualidades. Em cada um dos itens, Andriele utilizou-se dos exemplos do Deputado eleito Tiririca, correlacionando com os critérios de noticialbilidade Luhman.

Mirleno Lívio (Crédito: Denise Rodrigues)
Durante a apresentação de Mirleno Lívio (Crédito: Denise Rodrigues)

Fechando as apresentações, Mirleno começou a sua exposição fazendo um breve relato sobre a vida acadêmica de NIKLAS LUHMANN, destacando sua atuação em áreas distintas do conhecimento. Depois, desta abordagem introdutória iniciou dizendo o que é complexidade para Luhmann:  a complexidade é sinônimo de evolução e para dar conta da complexidade interna, o sistema se autodiferencia. A diferenciação do sistema, explicou Mirleno, não significa a decomposição de um todo em partes, mas a diferenciação de diferenças sistema/entorno. Assim, não existe um agente externo que modifica o sistema. É ele mesmo que o faz para sobreviver no ambiente por meio de “irritações”. Mirleno exemplificou com o sistema jurídico, que nasceu com a distinção básica entre direito público e privado, depois foi diferenciando-se em: direito administrativo, direito penal, direito processual e outros. Mirleno explicitou algumas diferenças entre a sociedade segmentada (antiguidade) para uma sociedade funcional (modernidade) e disse que a razão do sistema evoluir é sobreviver à complexidade do ambiente. A pergunta-chave do primeiro momento da apresentação foi: Qual o objeto da Teoria Luhmanniana? A resposta: A diferença entre sistema e ambiente. Em seguida, o apresentador destacou significativos aspectos sobre a abordagem teórico-diferencial da teoria de Luhman, dentre eles os obstáculos epistemológicos que precisam ser superados para compreensão da teoria do autor: Para Lunman a sociedade é construída exclusivamente por comunicação, a inexistência de fronteiras separando sociedades, não há nenhum observador externo ao sistema social que possa analisá-lo com distância e imparcialidade. Um observador observa o que um outro observador observou. Posteriormente, caracterizou os quatro tipos de sistemas que Luhman identificou: Não-vivos, Vivos, Psíquicos e Social. Mirleno destacou, contudo, que somente os sistemas vivos, psíquicos e sociais são autopoiéticos, autorreferentes e operacionalmente fechados, explicando o que é autopoiése e sua origem terminológica. Retomando aos aspectos do sistema, o expositor destacou que o sistema é constituído apenas por elementos produzidos internamente e questionou: O que leva um sistema a autoproduzir-se? “A irritação provocada pelo ambiente. O sistema irrita-se com o ambiente. É o sistema que seleciona as possibilidades que estão em seu entorno”. O que é considerada uma irritação? Um estímulo, uma INFORMAÇÃO, a diferença que faz diferença. Por fim, Mirleno sintetizou algumas características do sistema.

Jonas da Silva Gomes Jr | http://www.jonasjr.com

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