CARA OU COROA NA COMUNICAÇÃO?

Nos corredores das faculdades, os estudantes de Comunicação (Publicidade, Relações Públicas, Jornalismo) traduzem seus anseios sobre seu futuro profissional e aprendizado com frases do tipo: “professor Fulano é muito teórico”, “essa disciplina é boa, porque é mais prática” ou “não consegui aprender nada prático nessa disciplina”. Essas afirmações estão na base de uma questão fundamental: a relação teoria x prática.

O fato: o mercado de comunicação (agências de publicidade, assessorias, órgãos públicos) necessita de profissionais tecnicamente preparados para realizar atividades em posições específicas (assessores, redatores, diretores de arte, repórteres, profissionais de relações públicas, assistentes de comunicação, analistas de mídias sociais). Por outro lado, a sociedade precisa mais do que profissionais repetidores de técnicas, precisa de agentes sociais de mudanças, que se utilizam de senso crítico e de perspicácia para contribuir com o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.

A prática profissional, assim, não pode ser vista como uma simples aplicação de técnicas aprendidas nos centros universitários. Uma prática que desconhece seus fundamentos teóricos, não pode ser considerada legítima. Uma teoria que não possua uma relação com a prática tem pouco valor. Nesse sentido, a assertiva que deve ser feita é que teoria e prática são indissociáveis. A discussão sobre a prevalência de uma sobre a outra é infundada e irresponsável. Tal como uma moeda precisa de ambas as facetas para constituírem-se como tal, na Comunicação as dimensões “teoria” e “prática” estão inter-relacionadas e interdependentes.

A que se dizer, estão, que os espaços para as pesquisas científicas e reflexões, nos cursos de Comunicação Social, precisam ser garantidos a fim de que não haja, no mercado de trabalho, apenas uma reprodução acrítica e sistemática de técnicas, mas sim um constante redimensionamento criativo de propostas de ação e estabelecimento de novos padrões, ações, atividades nas ambiências midiáticas e comunicacionais.

Questões que norteiam essa discussão: A teoria é que deve orientar e prevalecer sobre a prática do profissional de Comunicação? A prática necessita de corpus teórico para ser efetivada? Os princípios teóricos devem reger as ações práticas da Comunicação? Qual a relação existente ou potencialmente existente entre o mercado de trabalho e a academia? Alguma deve prevalecer? Existe uma hierarquia que deva ser estabelecida?

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